13 de maio de 2008

Concentração vs Dispersão



"Ser uma alternativa à mídia oficial e contribuir para que as pessoas possam ter senso crítico. A mídia tradicional tem o poder de aliciar corações e destruir mentes. O radical não se sente dono do tempo, nem dono dos homens, nem libertador dos oprimidos. Com eles se compromete, dentro do tempo, para com eles lutar." (PAULO FREIRE)



Estamos à observar dois movimentos opostos no que se refere aos meios de comunicação. Enquanto a Mídia Tradicional segue no caminho da concentração, a Mídia Indepente, apoiada na chamada Web Colaborativa (novas ferramentas que permitem maior interatividade entre os usuários como blogs, YouTube, Wikipedia, rss, ajax, banda-larga, etc, etc...) segue no caminho da dispersão.

A Mídia Tradicional (os veículos de comunicação como rádio, tv, cinema, jornais, revistas), mais fortemente à partir da década de 90 através de inúmeras aquisições, começou à se concentrar na mão de poucos grupos controladores (que chamamos de "Grande Mídia"). Globalmente, a grande mídia é representada pelos sete principais conglomerados transnacionais da indústria da informação e do entretenimento: AOL-Time Warner, Viacom, Sony, News Corporation, Disney, Universal e Bertelsmann.

Nos Estados Unidos por exemplo, segundo Guilherme Canela pesquisador da Unb, 3 cadeias dominam 70% do mercado de rádio e 4 redes dominam 75% do mercado de tv aberta. O Site StopBigMedia.com traz muitos dados e informações sobre a grande mídia (veja aqui a lista dos veículos de comunicação de massa controlados pelos grandes conglomerados citados acima).

Esta concentração é uma ameaça à sociedade em vários sentidos. É uma ameaça pois vai de encontro à liberdade de expressão, é uma ameaça pois possui o poder de alienar as pessoas, desinformá-las, omitindo informações relevantes para discussões que visem de algum modo uma evolução do ser humano e (re)produzindo informações, que quando não mentirosas ou distorcidas, são bestas e sem valor.

Para encurtar o post vou parar de falar sobre a grande mídia (o quarto poder) e sua enorme influência em quase todos os aspectos de nossa vida, deixando algumas indicações de textos/vídeos relacionados ao tema:

Muito Além do Cidadão Kane - Documentário sobre Roberto Marinho e as Organizações Globo
Rede Globo e o novo fuso horário - artigo do Blog do Mello
Grande Mídia é anti-democrática - entrevista coletiva de Marilena Chauí
A concentração e o futuro da mídia - no Observatório do Direito à Comunicação Os donos da bola - na revista eletrônica Com Ciência

A Mídia Independente, produzida por pessoas comuns sem ligação com nenhuma empresa, segue uma tendência oposta. Através das ferramentas da Web Colaborativa se tornou possível à qualquer cidadão comum que possua um computador e uma conexão com a internet produzir e divulgar informação/conhecimento/conteúdo/cultura na forma escrita ou áudio-visual. Mais do que isso, se tornou possível a interatividade e a discussão entre os usuários.

É claro que isto traz um problema, com tanta informação circulando pela internet será que é possível confiar em tudo que se vê/lê/ouve? Acredito que não, mas pelo menos existem diversas fontes sobre cada assunto, tornando possível ao usuário confrontar diversos pontos de vistas (mesmo que alguns sendo baseados em mentiras) e tirar suas próprias conclusões. Acho bom lembrar que nunca é prudente confiar em informação anônima.

Mas será que é possível confiar em muita coisa que se vê/lê/ouve na mídia tradicional?
...

A grande mídia, que controla e manipula informação sem abrir espaço para a pluradidade de opiniões, agora encontrou um espaço que a rivaliza, onde é possível rebater suas argumentações e promover um diálogo entre diversos tipos de indivíduos.

Há ainda que se falar em um ponto que faz com que cada vez mais pessoas passem mais tempo na internet e menos tempo utilizando meios de comunicação tradicionais: a Mídia Tradicional determina o quê e quando o usuário irá assistir/ler/ouvir, enquanto na web é o usuário que determina o quê ele quer assistir/ler/ouvir e quando.

Vai aqui mais uma indicação de leitura: A Mídia Tradicional e a Mídia Independente nos Tempos da Web 2.0 , por Eduardo Santos na coluna Tendências do site IMasters.

12 de maio de 2008

É PRECISO MUDAR! (Parte 2)

A História das Coisas (The Story of Stuff) é um documentário que tenta explicar em que está baseado o atual sistema de produção/consumo e por que ele é insustentável.

Com gráficos simples e práticos e falas diretas e enfáticas, Annie Leonard (que apresenta o documentário) dá uma sacudida no telespectador, vale a pena conferir (eh curtinho, tem soh 20 min).


É PRECISO MUDAR! (Parte 1)

"É preciso mudar as formas de produção e consumo" diz o título da matéria da Agência Carta Maior sobre o seminário Economia Solidária, Soberania Alimentar e Agroenergia, realizado em Maringá (PR).

O seminário contou com a presença dos grandes seres pensantes e atuantes Paul Singer, secretário nacional de Economia Solidária, e João Pedro Stédile, membro da coordenação do MST, os quais falaram da crise no preço do petróleo e dos alimentos, da expansão dos biocombustíveis e dos projetos para a agricultura familiar.

Veja abaixo alguns trechos do seminário:

Contexto econômico da agricultura mundial

Stédile: "Estamos em uma nova fase do capitalismo, na qual os setores mais dinâmicos de controle são os bancos e as grandes empresas transnacionais que controlam os ramos de produção em nível global. O neoliberalismo, em termos de modelo econômico, significa que agora as economias do mundo estão dirigidas pelos bancos e empresas, esse é o novo poder econômico dos capitalistas. Nos últimos 15 anos, o capital fez esse movimento de construir grandes empresas para dominar todos os setores da economia. Luz elétrica, telefone, transporte, fábricas, etc, está tudo sob o controle desse capital estrangeiro e internacional."

Singer: "Os alimentos começaram a subir em 2006. O que está acontecendo é que, em diversos países, a chamada classe c deixou de comer comida de milho e trigo para comer carne e laticínios. O consumo de carne no Brasil aumentou 70%, e o mesmo acontece hoje na Índia. Quando comemos cereais, nós comemos a planta. Quando comemos carne, consumimos as duas coisas, a carne e a planta, mas o problema é que precisamos de sete quilos de cereal para obter um de carne bovina. A demanda por alimentos subiu, e isso exige muito mais terra, sol, água e trabalho humano."

Aquecimento global

Singer: "Se nós quisermos ter uma vida mais longa e de maior qualidade, o padrão de consumo no mundo vai ter que mudar, inclusive para brasileiros, indianos e chineses. Teremos que fazer um só automóvel levar mais gente, criar bolsões de bicicleta e ciclovias, entre outras coisas. O aquecimento global deve ser contido o mais depressa possível. Todos temos algo a fazer, apesar de o aquecimento ter sido causado pelo uso irresponsável dos recursos naturais pelo grande capital. Teremos que voltar a uma dieta de cereais. Seremos condenados à fome se não mudarmos nossa forma de alimentação."

Stédile: "Um grande problema é a falta de acesso à água potável para a maioria dos seres humanos. Setenta por cento da água potável do planeta é utilizada para irrigar o agronegócio e só 30% é destinada aos animais e às pessoas."

Petróleo e Biocombustíveis

Stédile: "os três maiores produtores do mundo, que são Irã, Rússia e Venezuela, estão contra os EUA. Uma aliança entre as empresas petroleiras, automotivas e o mercado financeiro passou a estimular a produção de agrocombustíveis, como uma falsa forma de combate à poluição, para conseguir seus objetivos de manter a margem de lucro e a utilização do veículo individual. A produção de agrocombustíveis, por si só, não é solução. Não adianta combustíveis mais saudáveis se não trocar essa matriz de transporte individual. Agora querem usar a mesma terra para produzir os agrocombustíveis."

Agricultura familiar e agroenergia

Stédile: "podemos produzir energia sustentável, que dê mais renda e cidadania. Temos que criar em cada município pólos de produção de energia para que o agricultor familiar não dependa mais da Petrobras. Se fizermos isso em todo o Brasil, vocês vão ver que o povo vai se apoderar. Não existe independência política e econômica sem soberania alimentar. Precisamos produzir nossa própria energia."

Singer: "O que a humanidade está pedindo é uma nova revolução agrícola, diferente da Revolução Verde sobre a qual se basearam os conceitos do agronegócio. O passado se tornou o futuro, e hoje aqueles que detiveram os conhecimentos da agricultura ecológica são a nossa esperança. A agricultura familiar hoje é mais rentável do que a agricultura quimificada. Os insumos ficaram muitos caros por causa do preço do petróleo. A agricultura familiar é menos nociva para o meio ambiente e mais segura para os trabalhadores do que o agronegócio. Estamos numa baita crise, mas nós sabemos o caminho para sair dela. Precisamos de políticas nacionais e internacionais que regulem a forma de usar o solo e a água. Não é para outra geração, é para ontem. Os agricultores familiares são a nossa esperança."

6 de maio de 2008

Por que o Brasil é um cassino financeiro?

Setor privado mantém altas taxas de captação de recursos externos e ganha emprestando esse mesmo dinheiro aos brasileiros, a juros mais elevados.


A expressiva diferença entre a elevada taxa de juros da economia brasileira e as pequenas taxas dos países ricos está turbinando o lucro dos bancos e das transnacionais no país. Captando recurso no exterior a um custo baixo e, depois, cobrando dos consumidores brasileiros uma taxa maior, grandes empresas ampliam seu resultado financeiro às custas de um modelo que eleva a vulnerabilidade do país e, em última análise, penaliza o trabalhador.

Isso tem ocorrido mesmo em um cenário teoricamente adverso para as captações externas, com a crise do setor financeiro internacional. Números do primeiro trimestre deste ano confirmam esse movimento expressivo de captações externas dos grupos privados. Segundo o Banco Central, as empresas trouxeram do exterior 4,680 bilhões de dólares. No mesmo período de 2007, foram 5,097 bilhões. Esses valores são bem superiores às necessidades de financiamento externo dos grupos privados. Também no primeiro trimestre deste ano, a dívida do setor privado estava em 1,907 bilhões de dólares, mas teve uma taxa de rolagem de 231%. Ou seja, o setor privado tomou no exterior muito mais dinheiro do que em tese precisaria.


Empréstimos pessoais

Todo esse ingresso de recursos externos tem impulsionado a ampliação de oferta de crédito aos consumidores brasileiros. Como, hoje, o Brasil possui a mais alta taxa de juros real do mundo (7,25% ao ano), o montante obtido pelos bancos devido às diferenças entre as taxas garantem a eles enormes lucros. “As taxas de juros do cheque especial e do crédito pessoal, por exemplo, na melhor das ofertas cobra 2% ao mês de juros. Se eles captam a 2% ao ano, você imagina a diferença de que os bancos se apropriam, isso sem contar as taxas bancárias. Seja qual for o destino desse dinheiro no Brasil, os lucros que eles conseguem aplicando esse dinheiro é enorme”, explica Leda Paulani, economista da Universidade de São Paulo (USP).

O alto ritmo de crescimento dos créditos para pessoas físicas corrobora essa visão. Em 2007, a concessão de crédito a pessoas físicas cresceu 33,7%. E a expectativa do Banco Central para este ano é que haja um aumento de cerca de 20% para o setor. Para se ter uma idéia do ritmo desse crescimento, o Grupo Itaú, que em 2007 se destacou como o maior coordenador de captações externas, trouxe 1,199 bilhões de dólares ao Brasil, contra 434 milhões de dólares que tinha captado em 2006.

Já as captações feitas por empresas tanto são utilizadas para realizar movimentações no mercado financeiro, com compra de ações ou títulos da dívida pública brasileira, por exemplo, como para investimentos e aquisições. Esse foi o caso da mineradora Vale que, no final de 2006, fez um empréstimo de 13,7 bilhões de dólares para financiar a compra da produtora de níquel canadense Inco, operação importante que ajudou a levar a empresa ao posto de segunda maior mineradora do mundo.


Rendimentos recordes

Reinaldo Gonçalves explica que, a princípio, a grande oferta de créditos pelos bancos beneficia o trabalhador, que consegue realizar operações a juros mais baixos. “Por isso que, aqui, você financia carros em 72 meses com uma taxa de juros baixa nos padrões brasileiros”, explica o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entretanto, quem sai verdadeiramente fortalecido com esse modelo econômico são os bancos e as transnacionais. Os lucros dos bancos em 2007 confirmam a visão do economista: o Itaú, segundo maior banco privado brasileiro, teve, no primeiro semestre de 2007, o maior lucro semestral já registrado por um banco brasileiro, R$ 4,016 bilhões. Já o Bradesco anunciou ganhos de R$ 4,007 bilhões no mesmo período.

Quando questionado, na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a lucratividade foi decorrente do crescimento do crédito no país. "Vocês vão perceber que o crédito cresceu, mais que quadruplicou, desde o consignado ao crédito para as empresas”, disse, em agosto de 2007.

Fonte: Agência Brasil de Fato


Comentário: O mecanismo utilizado é bem simples. A taxa de juros de um banco no Japão por exemplo, é aproximadamente 2% a.a., já no Brasil fica em torno de 7,25% a.a.. Aí é fácil. Se você é rico, vai lá no banco japonês empresta com juros bem baixos, traz o dinheiro pra cá, ganha absurdos em juros dos pobres brasileiros e ainda é bem visto pela sociedade por isso.
É assim que desde o governo FHC é feita a manutenção da mesma ordem social no país, pois além de criar oportunidades milionárias somente para os muito ricos, impede o acesso fácil ao crédito às classes média e baixa.

Eco House URCA - RJ

In the Urca neighborhood near the base of Rio de Janeiro’s Sugarloaf mountain, architect Alexandra Lichtenberg tackled a remodeling project that demonstrates that being green isn't the exclusive domain of high-cost, luxury residences and backwoods off-grid dwellings. A good green remodel is within reach of the average well-intentioned homeowner in the average urban neighborhood anywhere in the world, and the EcoHouse proves it.

before the project

after the project


Green roofs and facades
Green roofs enhance passive cooling capacities, absorb rainwater, and offer another usable outdoor space for residents—a perfect spot for cultivating a garden. The EcoHouse's old ceramic tile roof was replaced by green roofs, using mostly grass and cooking herbs. All northwest-facing façades were fitted with an aluminum trellis to protect the outside walls from sun exposure. A vigorous vine will climb the trellis and create a shield to absorb most of the direct radiation that would hit the walls.


Sewage recycling
Even the most hardcore environmentalists sometimes shy away from dealing with gray water and sewage. However, there are a number of well-designed compact sewage treatment systems that make residential water reuse easy and clean. A Brazilian company called Mizumo provided a test system for the Ecohouse Urca Project. Intended for small urban lots, it measures 1.20m x 2.60m x 2.10m. The system is meant to provide water for the same non-potable uses as the rainwater system. Before being pumped to the water tank on the green roof, the water undergoes sand and UV light filtration to eliminate any remaining impurities.


Sistema de captação e fluxo de água

Natural ventilation
Natural ventilation is another component that is often best installed during the initial building process of the home, when operable skylights and windows can be designed into the building. For the EcoHouse remodel, the architect did a reconfiguration of the internal layout to allow for natural ventilation. Air circulation is vitally important, not only to reduce heating and cooling costs, but for the health of the inhabitants. Keeping a good inflow of fresh air enhances the interior atmosphere so that it never feels stuffy or stagnant.



Ventilação nas paredes com jardins verticais

Renewable energy
Two solar systems heat all the hot water in the house, both working in a passive thermosiphon system, which takes advantage of gravity and eliminates the need to pump liquids around the house. Normally, solar panels mounted on the roof heat water in a tank several floors below, which means that the liquid needs to be pumped to the roof for heating. In a thermosiphon system, the tank is on the roof, placed above the solar collector.

As the temperature of the heat-transfer fluid increases, its density decreases. The fluid rises, causing natural convection, which permits passive circulation in the pipes. In the EcoHouse, one of the two solar systems has an electrical backup source. The other functions completely on solar.


Passive Cooling
The best means of achieving passive heating and cooling is through well-planned orientation of a house on its site. With existing buildings, though, there are other ways to make use of passive technologies, such as strategic placement of shade trees, extension of eaves and overhanging roofing, and window glazing. Keeping the walls, windows and roof of the house cool by deflecting or avoiding direct sunlight, the inside stays cooler, as well, without A/C or other high-energy systems.

Fonte: Inhabitat
Apresentação da casa em português no site oficial da Eco House Urca.


More about Green Roofs:

5 de maio de 2008

Energia Renovável - Vento (parte III)

O potencial eólico brasileiro é de 143,5 GW (GigaWatts), segundo um estudo da Centro de Pesquisa em Energia Elétrica (Cepel) do Ministério de Minas e Energia feito em 2005. O estudo levou em conta geradores de energia eólica de até 50 metros. Com o avanço tecnológico no setor, que permite geradores de até 80 metros atualmente no Brasil, o potencial cresceria mais ou menos 50%.


“Quanto mais alto, mais potencial eólico, já que vão diminuindo os problemas com relevo e rugosidade do solo”, afirma o pesquisa da Cepel Antônio Leite. Esse potencial de 143,5 GW representaria a geração de energia de 146 milhões de residência. Essa conta, no entanto, é só ilustrativa. A energia eólica não é energia firme, ou seja, com fornecimento constante. Assim, sua energia é armazenada em baterias ou trabalha em conjunto com as hidrelétricas, ajudando, por exemplo, no abastecimento dos reservatórios dessas usinas. O potencial instalado no Brasil é atualmente de 247,5 MW (MegaWatts), ou seja, 0,25% dos 99,7 GW gerados no país, segundo dados de dezembro de 2007. A tabela abaixo mostra dados de seis meses antes.

Usinas Eólicas em Operação
Usina Potência (kW) Município
Eólica de Prainha 10.000 Aquiraz - CE
Eólica de Taíba 5.000 São Gonçalo do Amarante - CE
Eólica-Elétrica Experimental do Morro do Camelinho 1.000 Gouveia - MG
Eólio - Elétrica de Palmas 2.500 Palmas - PR
Eólica de Fernando de Noronha 225 Fernando de Noronha - PE
Mucuripe 2.400 Fortaleza - CE
RN 15 - Rio do Fogo 49.300 Rio do Fogo - RN
Eólica de Bom Jardim 600 Bom Jardim da Serra - SC
Eólica Olinda 225 Olinda - PE
Parque Eólico do Horizonte 4.800 Água Doce - SC
Macau 1.800 Macau - RN
Eólica Água Doce 9.000 Água Doce - SC
Parque Eólico de Osório 50.000 Osório - RS
Parque Eólico Sangradouro 50.000 Osório - RS
Parque Eólico dos Índios 50.000 Osório - RS
Total: 15 Usina(s) Potência Total: 236.850 kW

O crescimento da capacidade instalada no país se deve em grande parte pelos incentivos que o governo federal tem dado para o assunto. O Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), administrado pelo BNDES, trata-se de uma linha de crédito prevê financiamento de até 70% do investimento, excluindo apenas bens e serviços importados e a aquisição de terrenos. As condições do financiamento são TJLP mais 2% e até 1,5% de spread de risco ao ano. A carência de seis meses, após a entrada em operação comercial, amortização por dez anos e não-pagamento de juros durante a construção do empreendimento.

Entre no site do Proinfa - Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica

Energias Renováveis no Brasil segundo o Proinfa

As fontes renováveis de energia terão participação cada vez mais relevante na matriz energética global nas próximas décadas. A crescente preocupação com as questões ambientais e o consenso mundial sobre a promoção do desenvolvimento em bases sustentáveis vêm estimulando a realização de pesquisas de desenvolvimento tecnológico que vislumbram a incorporação dos efeitos da aprendizagem e a conseqüente redução dos custos de geração dessas tecnologias.

O debate sobre o aumento da segurança no fornecimento de energia, impulsionado pelos efeitos de ordem ambiental e social da redução da dependência de combustíveis fósseis, contribui para o interesse mundial por soluções sustentáveis por meio da geração de energia oriunda de fontes limpas e renováveis. Nessa agenda, o Brasil ocupa posição destacada em função da sua liderança nas principais frentes de negociação e da significativa participação das fontes renováveis na sua matriz energética.

O Brasil apresenta situação privilegiada em termos de utilização de fontes renováveis de energia. No país, 43,9% da Oferta Interna de Energia (OIE) é renovável, enquanto a média mundial é de 14% e nos países desenvolvidos, de apenas 6%. A OIE, também denominada de matriz energética, representa toda a energia disponibilizada para ser transformada, distribuída e consumida nos processos produtivos do País.

O desenvolvimento dessas fontes ingressa em uma nova etapa no país com a implantação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA), criado no âmbito do Ministério de Minas e Energia (MME) pela Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, e revisado pela Lei nº 10.762, de 11 de novembro de 2003. A iniciativa, de caráter estrutural, vai alavancar os ganhos de escala, a aprendizagem tecnológica, a competitividade industrial nos mercados interno e externo e, sobretudo, a identificação e a apropriação dos benefícios técnicos, ambientais e socioeconômicos na definição da competitividade econômico-energética de projetos de geração que utilizem fontes limpas e sustentáveis.

Energia Eólica no Brasil segundo o Proinfa
A também denominada energia dos ventos pode ser explicada, em termos físicos, como a energia cinética formada nas massas de ar em movimento. Seu aproveitamento é feito por meio da conversão da energia cinética de translação em energia cinética de rotação. Para a produção de energia elétrica, são utilizadas turbinas eólicas, também conhecidas como aerogeradores, e para a realização de trabalhos mecânicos (como o bombeamento de água ou a moagem do trigo), cata-ventos de diversos tipos.

As primeiras experiências para geração de eletricidade por meio dos ventos surgiram no final do século XIX. Em 1976, menos de um século após o início dos estudos, foi na Dinamarca, a primeira turbina eólica comercial ligada à rede elétrica pública. Atualmente, existem mais de 30.000 MW de capacidade instalada no mundo. A maioria dos projetos está localizada na Alemanha, na Dinamarca, na Espanha e nos Estados Unidos. No Brasil, os primeiros anemógrafos computadorizados e sensores especiais para medição do potencial eólico foram instalados no Ceará e em Fernando de Noronha (PE) no início dos anos 1990.

Dados do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro apontam que o potencial eólico brasileiro indicativo é de 143.000 MW, sendo que 7.694,05 MW já foram autorizados. Atualmente, as usinas em operação tem capacidade instalada para gerar apenas 26,8 MW - o Ceará participa com quase 65% desta capacidade. As áreas com maior potencial eólico encontram-se nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste.

Estima-se que o potencial eólico bruto mundial seja da ordem de 500.000 TWh/ano, o que significa mais de 30 vezes o atual consumo mundial de eletricidade. Desse potencial, no mínimo 10% é tecnicamente aproveitável, o que corresponde a cerca de quatro vezes o consumo mundial de eletricidade.

Fontes: ANEEL e MME.

Mais sobre energia eólica nos vídeos:

Turbina eólica silenciosa para a área urbana:


Turbina eólica para ventos de qualquer rumo e velocidade:

Os grandes desafios de nosso tempo

No plano econômico estamos à beira de uma recessão econômica internacional que começou nos Estados Unidos e está se refletindo na Europa e no resto do planeta. No plano político, os grandes problemas que afetam o mundo ainda não encontram uma resposta global. Existe um grave vazio na ordem mundial. A análise é do ex-presidente de Portugal, Mario Soares.
LISBOA - O mundo – e o Ocidente, em particular – estão atravessando uma fase de transição e de grande insegurança, que, por se manifestar em diferentes planos, torna imprevisíveis os próximos tempos. No plano econômico estamos à beira de uma recessão econômica internacional que começou nos Estados Unidos e está se refletindo na Europa e no resto do planeta. Ainda não sabemos se irá se agravar ou começará a ser superada, o que não depende apenas do Ocidente, mas também de múltiplos fatores internacionais, como o aumento ou a baixa dos preços do petróleo, ou o comportamento das economias emergentes.

O capitalismo especulativo está em um pantanal, já que a economia especulativa tem hoje pouco a ver com a economia real. Cria-se e perde-se grandes fortunas nos paraísos fiscais, onde circula impunemente o chamado dinheiro sujo, proveniente da droga e de outros comércios ilícitos (tráfico ilegal de armas, de órgãos humanos, da prostituição, etc) enquanto a economia real está gerando desemprego, paralisação econômica, inflação, crise na bolsa e no crédito imobiliário, irregularidades e quebras de instituições bancárias e de seguros ate agora consideradas intocáveis.

Por sua vez, as organizações financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional – que não dependem, como deveria ser, das Nações Unidas – se mostram obsoletas e incapazes de enfrentar a crise financeira em curso. O mesmo se pode dizer da Organização Mundial do Comercio – também fora do âmbito da ONU – onde os necessários consensos com os países emergentes e em desenvolvimento são cada vez mais difíceis de serem estabelecidos.

Nestes tempos de globalização – não apenas econômica, mas também científica, tecnológica, informática e de um novo fenômeno que é a nascente formação de uma opinião pública mundial – os grandes problemas que afetam o mundo ainda não encontram uma resposta global, que apenas poderia consistir em uma profunda reestruturação da ONU e de seu Conselho de Segurança. E o G-8, que agrupa as maiores potências, não passa de um diretório das nações ricas, carente de legitimidade para orientar o mundo, como mostra a experiência dos últimos anos. Existe, portanto, um grave vazio na ordem mundial.

Quais são os maiores problemas que afetam o mundo contemporâneo e que, se não forem resolvidos em um prazo razoável envolvem uma ameaça para a humanidade? Enumero por ordem de importância. Em primeiro lugar as mais graves questões ambientais? O buraco na camada de ozônio, o aquecimento da Terra e as mudanças climáticas, a contaminação da água e do lençol freático, a desertificação, a redução da biodiversidade, o progressivo desaparecimento das florestas, a degradação urbana.

A fome e a pobreza endêmica que afetam mais de dois terços da população mundial apesar de a ciência e a tecnologia disporem de recursos para eliminar facilmente esses problemas com a condição de que haja vontade política para enfrentá-los. A violência – fomentada pela violência cotidiana propagada pelos meios de comunicação – os conflitos, as guerras, o comércio ilimitado de armas e a corrida armamentista nuclear às quais são incapazes de por um freio as potências e as instituições internacionais.

As pandemias com a da Aids e outras doenças que haviam sido erradicadas e que ressurgem, com a tuberculose, a malária e outros desafios que somente podem ter uma resposta global. O fanatismo religioso e político, a perda de valores nas sociedades consumistas e hedonistas de nosso tempo, o desprezo pelos problemas sociais, ambientais e pelos direitos humanos.

Tudo isto forma uma profunda crise mundial, comparável à vivida no começo da Segunda Guerra Mundial, depois das avassaladoras vitórias militares de Hitler e do imperialismo japonês, quando alguns pessimistas vislumbravam “um retrocesso de mil anos”. Mas nessa oportunidade, como agora, não podemos – nem devemos – perder a esperança e deixar de lutar pelos valores do humanismo universal.

A ordem mundial é novamente multilateral. O império norte-americano como tal está em vias de desaparecer. As soluções para os problemas que enfrentamos não dependem apenas, como se pensava no começo deste século, do Ocidente (Estados Unidos e Europa). Hoje também contam os chamados países emergentes, Brasil, Rússia, China e India – e outros mais como Japão, México, África do Sul, Irã, Egito e Turquia. Isto quer dizer que o Ocidente deve entender que tem de negociar com esses países, bem como ajudar na reforma da ONU se quer realmente enfrentar os grandes desafios de nosso tempo.

Muito depende ainda dos Estados Unidos e de seu próximo presidente. Seja quem for, terá que mudar radicalmente as políticas interna e externa de Washington, se quiser evitar que sua nação entre em decadência. Por sua vez, a União Européia deve ter a coragem de definir uma estratégia autônoma e indicar o rumo que seguirá nos próximos anos na esfera institucional e como ator global no cenário internacional.

Fonte: Agência Carta Maior


Comentários: Acrescentaria ainda a essa lista do ex-presidente português a Coréia do Sul , se não agora, com certeza em longo prazo.

Parte da decadência norte-americana deve vir a ser confirmada por meio de mudanças reais de postura e de rigidez nos acordos econômicos de forma geral, principalmente em conferências de negócio como Davos e OMC. Infelizmente, tais encontros ditam as regras comerciais no mundo, influenciam o arranjo das políticas fiscais dos países participantes e impedem de modo direto o crescimento dos países do Terceiro Mundo, como já é sabido.

O problema agora para os EUA é descobrir quem no mundo quer estar próximo duma economia em chamas???

“Conceito Científico” e os desafios do desenvolvimento na China de hoje

Texto-base de Elias Jabbour da apresentação “Conferência sobre a China” organizada pela Fundação Alexandre Gusmão e o Ministério das Relações Exteriores que ocorreu nos dias 17 e 18 de abril no Palácio Itamaraty (Rio de Janeiro) e que contou com a presença de cerca de duas dezenas de intelectuais entre eles brasileiros, argentinos, chineses e norte-americanos.

O “desenvolvimentismo com características chinesas”

Baseada uma grande autoconfiança num mundo de turbulências e mudanças drásticas, sendo a principal delas a desagregação da URSS e a conseqüente débâcle do sistema socialista mundial, a governança chinesa fez a correta escolha soberana – portanto, fora dos esquemas estratégicos dos EUA, como o fez a América Latina na década de 1990 –, de navegar no mar da “globalização” como forma de alcançar o objetivo de reprojetamento da China ao rol das grandes nações em um mundo marcado pelo rápido desenvolvimento das forças produtivas e pela existência de grandes potências.

Assim, e após o diagnóstico acerca da improbabilidade de uma 3ª Guerra Mundial envolvendo o capitalismo e o socialismo, a consecução dos citados objetivos centrou-se em uma participação ativa no já referido processo de “globalização”. Para tanto, fez praticar uma retificação de curso amplamente baseada tanto na capacidade milenar de comércio e de acumulação do camponês médio chinês (reconstruindo, assim, o pacto de poder vitorioso em 1949), quanto na constituição de um círculo internacional chinês espalhado pelo Sudeste Asiático. Círculo com poder financeiro suficiente para carrear ao continente seus excedentes, viabilizando, assim, tanto o financiamento externo da modernização e a indigenização de avançadas técnicas modernas de administração, quanto a solução de pendências históricas como Hong-Kong, Macau e principalmente Taiwan.

Como resultado, nos últimos 30 anos o país tem crescido ininterruptamente numa média que varia de 10% ao ano; deixando, assim, de representar 1% do PIB mundial, no início das reformas, para 4,2% em 2004. Seu comércio exterior cresceu em quase 100 vezes, pois em 1978 seu volume foi de US$ 20,6 bilhões e, em 2007, passou dos US$ 2 trilhões. Desde meados da década de 1990 ela é a maior receptora de capitais produtivos estrangeiros, sendo que em 2006 sua cifra foi de US$ 69,5 bilhões. Suas reservas cambiais em outubro último eram estimadas em US$ 1,45 trilhão.

Notável, também, fora a retirada de pessoas da linha da pobreza. Segundo dados devidamente amplificados pelo Banco Mundial, o número de pessoas abaixo da linha da pobreza na China diminuiu de 490 milhões em 1981 (ou 49% da população) para 88 milhões em 2003 (7% da população).

Houve um aumento de sua influência na economia mundial tão claro a ponto de qualquer mudança que vier a afetá-la internamente pode ser o estopim de grandes repercussões no mercado internacional. No período de 1999 e 2006 seu crescimento correspondeu a 29% do desempenho econômico mundial e, segundo Barros de Castro, se mantidas as taxas de crescimento tanto da China, quanto dos EUA, as duas economias se “encontrariam” em tamanho no espaço de 10 anos. Em 2000, a China representava 3,4% do PIB mundial; 11,6% do PIB calculado sobre a paridade do poder e compra (PPA); 6,6% do consumo de petróleo e 3,9% das exportações mundiais. Já em 2004 (já citado), representou 4,2% do PIB mundial (13,2% em PPA); 8,35 do consumo mundial de petróleo e 6,5% das exportações correntes no mundo. Tais números subiram desde o período, sem sobra alguma para dúvidas.

É grande evidência pressupor que dado o peso histórico, geográfico e populacional da China, esse processo – cujos números citados são expressão – em curso tende a criar uma nova geografia econômica do mundo, para onde se dirigem e saem fluxos financeiros, econômicos, políticos e culturais crescentes. Enfim, um grande imã que atrai e irradia movimentos gravitacionais e que edita uma grande reocupação de espaços perdidos desde o início das agressões estrangeiras em 1839.

Conseqüência desta “reocupação de espaços” é encerrada em seu crescente poderio financeiro como a tábua em que se assenta uma planificação do comércio exterior possibilitadora da implementação de uma convivência imediata com seu principal competidor estratégico que inclui – não espantosamente –, o financiamento dos chamados déficits gêmeos do próprio competidor estratégico. Porém, a grande expressão dessa nova força financeira internacional (lastreada historicamente por uma política comercial milenar e avassaladora) está na possibilidade de proscrição dos principais órgãos financeiros surgidos no âmbito de Bretton Woods, notadamente o FMI e o Banco Mundial – conforme a política africana e latino-americana da China vem demonstrando nos últimos anos.

Confúcio (551-489 a.c.)

A dimensão exata dos limites e contradições
Em momento de grande perplexidade com a velocidade e a forma com que o desenvolvimento muda a face da China, é de bom grado advertir que, ao lado do sucesso e da consolidação de pretensões de ordem mundial, o desenvolvimento na China também guarda sua face dolorosa e eivada de inquietações, que talvez sejam o próprio motor do processo em si. Uma economia em desenvolvimento não resolve problemas sem criar outros maiores, saltando de forma ininterrupta de um desequilíbrio a outro. E a China não foge à regra.

Assim, podemos de imediato relacionar três grandes fontes de limites, que se relacionam, ao processo em andamento na China. Trata-se da relação entre o tamanho de sua população, os recursos existentes em seu território e o modelo clássico de industrialização extensiva. Desta relação podem ser extraídas as principais contradições surgidas nessa esteira desenvolvimentista: a pressão sobre os recursos naturais, as desigualdades sociais e regionais e a danificação ao meio ambiente.

A população chinesa ainda não atingiu seu pico. O início de sua curva decrescente deverá ocorrer por volta de 2030, quando o país poderá chegar a 1,5 bilhão de habitantes. A sua economia corresponde somente a 1/7 da economia norte-americana e a 1/3 da japonesa, o que a coloca – apesar das duplicações do PIB pós-1978 – entre as economias de baixa renda per capita. Com 1/5 da população mundial, a China conta com somente 5% das terras em condições de plantio no planeta. Seus recursos hídricos per capita correspondem somente a 25% da média mundial. Os recursos chineses em petróleo, gás natural, cobre e alumínio per capita são da ordem de 8,3%, 4,1%, 25,5% e 9,7 das respectivas médias mundiais.

No campo de análise da produção industrial e do caráter extensivo caracterizado por um grande aporte de capital e trabalho, em detrimento da incorporação de novas tecnologias, podemos afirmar que esse tipo de produção é grande fonte de contradições, cuja superação é determinada pela incorporação de novos paradigmas tecnológicos capazes de acelerar a produtividade do trabalho. Não somente isso – conforme o desenvolvimento interno do país vem nos mostrando,também é necessário aprofundar a mudança em curso do modelo. O que significa dizer: fortalecimento da demanda interna e das empresas nacionais e lenta diminuição do fator comércio exterior na composição do PIB que passou de 22% em 1992 para a altíssima taxa de 47% em 2006. Significa também demonstrar a pressão sobre os recursos naturais originados desse tipo de organização industrial: atualmente a China necessita de 832 toneladas de petróleo para produzir US$ 1 milhão em riquezas, isto é, quatro vezes mais que os EUA (209 ton.), seis vezes mais que a Alemanha (138 ton.) e sete vezes mais que o Japão (118,8 ton.).

Os impactos ao meio-ambiente de 30 anos de industrialização rápida e ininterrupta também têm sido altos. Por exemplo, 70% das águas subterrâneas do país estão contaminadas, principalmente as localizadas no norte do país onde 60 milhões de pessoas seguem com dificuldade para dispor de água potável. Dezesseis das 20 cidades mais poluídas do mundo localizam-se na China que, por sua vez, ocupa o segundo posto em emissão de dióxido de carbono (apesar de sua emissão per capita ainda ser muito baixa), e o primeiro lugar na emissão de clorofluorebunetos e de dióxido sulfúrico por superfície habitada. Os prejuízos ao país somente no ano de 2005 foram da ordem de US$ 10 bilhões por conta dos efeitos da chuva ácida. Um agravante neste caso deve-se à previsão de crescimento do parque automotivo, que poderá saltar dos 20 milhões de carros em 2004 para 60 milhões em 2010 e a 90 milhões em 2015.

A explosiva, cíclica e milenar questão camponesa
A pressão sobre os recursos e os desequilíbrios ambientais, numa observação mais de fundo, devem ser vistos como parte de um conjunto que envolve a centralidade da questão social na China de hoje. De forma mais aguda e em perspectiva histórica, a questão social na atualidade é sinônimo de questão camponesa. Explosiva, cíclica e milenar, responsável pela queda de simplesmente todas as dinastias, a classe camponesa na China – cuja subjetividade é mediada por um espírito rebelde tipicamente taoísta – é o grande ator político do país e classe pela qual, de tempos em tempos, passa-se o crivo do merecimento ou não do mandato do céu. Eis um dos maiores desafios, de caráter estritamente político, a ser enfrentado pela atual geração dirigente.

Em que pese a grande façanha da inclusão na China, a grande verdade é que o ritmo do nível das desigualdades aumentou substancialmente. Além disso, apesar da pobreza rural ter diminuído, a pobreza urbana aumentou, pois entre 1999 e 2003 a pobreza urbana passou de 11 milhões, ou 2,5% da população, para 23 milhões, ou 4% da população urbana. Voltando à questão do aumento das desigualdades, se tomarmos o quoficiente 20/20 (parte da renda nacional dos 20% mais ricos e 20% mais pobres) perceberemos que o mesmo aumentou de 6,5 em 1990 para 10,6 em 2001. Este dado se confirma se partirmos das bases de cálculo do índice de Gini (10/10): entre 1999 e 2001 os 10% mais ricos passaram a deter de 24,6% para 33,1% da renda nacional. Enfim, a China de hoje é uma das sociedades mais desiguais do mundo.

No que tange às desigualdades regionais, o problema da concentração também é refletido. Entre 1990 e 2002 a renda média das cidades passou de 2,2 para 3,1 vezes mais alta que a do campo. A ampliação da renda rural em 2006 foi de 7,4%, enquanto nas cidades de 10,4%, denunciando – o que é óbvio –, que: as atividades urbanas são mais rentosas que as praticadas no meio rural; e a manutenção das diferenças campo-cidade redundam em cada vez maiores disparidades regionais seja na China, seja no mundo. Daí a necessidade de criar condições políticas, econômicas e infra-estruturais para uma cada vez maior absorção de mão-de-obra sobrante no campo para grandes centros urbanos – sejam eles centros já existentes ou em construção –, pois somente pela via da urbanização essa desigualdade, em médio e longo prazo, poderá ser equalizada.

Leia a matéria completa na Coluna do geógrafo Elias Jabbour