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13 de maio de 2008

Concentração vs Dispersão



"Ser uma alternativa à mídia oficial e contribuir para que as pessoas possam ter senso crítico. A mídia tradicional tem o poder de aliciar corações e destruir mentes. O radical não se sente dono do tempo, nem dono dos homens, nem libertador dos oprimidos. Com eles se compromete, dentro do tempo, para com eles lutar." (PAULO FREIRE)



Estamos à observar dois movimentos opostos no que se refere aos meios de comunicação. Enquanto a Mídia Tradicional segue no caminho da concentração, a Mídia Indepente, apoiada na chamada Web Colaborativa (novas ferramentas que permitem maior interatividade entre os usuários como blogs, YouTube, Wikipedia, rss, ajax, banda-larga, etc, etc...) segue no caminho da dispersão.

A Mídia Tradicional (os veículos de comunicação como rádio, tv, cinema, jornais, revistas), mais fortemente à partir da década de 90 através de inúmeras aquisições, começou à se concentrar na mão de poucos grupos controladores (que chamamos de "Grande Mídia"). Globalmente, a grande mídia é representada pelos sete principais conglomerados transnacionais da indústria da informação e do entretenimento: AOL-Time Warner, Viacom, Sony, News Corporation, Disney, Universal e Bertelsmann.

Nos Estados Unidos por exemplo, segundo Guilherme Canela pesquisador da Unb, 3 cadeias dominam 70% do mercado de rádio e 4 redes dominam 75% do mercado de tv aberta. O Site StopBigMedia.com traz muitos dados e informações sobre a grande mídia (veja aqui a lista dos veículos de comunicação de massa controlados pelos grandes conglomerados citados acima).

Esta concentração é uma ameaça à sociedade em vários sentidos. É uma ameaça pois vai de encontro à liberdade de expressão, é uma ameaça pois possui o poder de alienar as pessoas, desinformá-las, omitindo informações relevantes para discussões que visem de algum modo uma evolução do ser humano e (re)produzindo informações, que quando não mentirosas ou distorcidas, são bestas e sem valor.

Para encurtar o post vou parar de falar sobre a grande mídia (o quarto poder) e sua enorme influência em quase todos os aspectos de nossa vida, deixando algumas indicações de textos/vídeos relacionados ao tema:

Muito Além do Cidadão Kane - Documentário sobre Roberto Marinho e as Organizações Globo
Rede Globo e o novo fuso horário - artigo do Blog do Mello
Grande Mídia é anti-democrática - entrevista coletiva de Marilena Chauí
A concentração e o futuro da mídia - no Observatório do Direito à Comunicação Os donos da bola - na revista eletrônica Com Ciência

A Mídia Independente, produzida por pessoas comuns sem ligação com nenhuma empresa, segue uma tendência oposta. Através das ferramentas da Web Colaborativa se tornou possível à qualquer cidadão comum que possua um computador e uma conexão com a internet produzir e divulgar informação/conhecimento/conteúdo/cultura na forma escrita ou áudio-visual. Mais do que isso, se tornou possível a interatividade e a discussão entre os usuários.

É claro que isto traz um problema, com tanta informação circulando pela internet será que é possível confiar em tudo que se vê/lê/ouve? Acredito que não, mas pelo menos existem diversas fontes sobre cada assunto, tornando possível ao usuário confrontar diversos pontos de vistas (mesmo que alguns sendo baseados em mentiras) e tirar suas próprias conclusões. Acho bom lembrar que nunca é prudente confiar em informação anônima.

Mas será que é possível confiar em muita coisa que se vê/lê/ouve na mídia tradicional?
...

A grande mídia, que controla e manipula informação sem abrir espaço para a pluradidade de opiniões, agora encontrou um espaço que a rivaliza, onde é possível rebater suas argumentações e promover um diálogo entre diversos tipos de indivíduos.

Há ainda que se falar em um ponto que faz com que cada vez mais pessoas passem mais tempo na internet e menos tempo utilizando meios de comunicação tradicionais: a Mídia Tradicional determina o quê e quando o usuário irá assistir/ler/ouvir, enquanto na web é o usuário que determina o quê ele quer assistir/ler/ouvir e quando.

Vai aqui mais uma indicação de leitura: A Mídia Tradicional e a Mídia Independente nos Tempos da Web 2.0 , por Eduardo Santos na coluna Tendências do site IMasters.

12 de maio de 2008

É PRECISO MUDAR! (Parte 2)

A História das Coisas (The Story of Stuff) é um documentário que tenta explicar em que está baseado o atual sistema de produção/consumo e por que ele é insustentável.

Com gráficos simples e práticos e falas diretas e enfáticas, Annie Leonard (que apresenta o documentário) dá uma sacudida no telespectador, vale a pena conferir (eh curtinho, tem soh 20 min).


É PRECISO MUDAR! (Parte 1)

"É preciso mudar as formas de produção e consumo" diz o título da matéria da Agência Carta Maior sobre o seminário Economia Solidária, Soberania Alimentar e Agroenergia, realizado em Maringá (PR).

O seminário contou com a presença dos grandes seres pensantes e atuantes Paul Singer, secretário nacional de Economia Solidária, e João Pedro Stédile, membro da coordenação do MST, os quais falaram da crise no preço do petróleo e dos alimentos, da expansão dos biocombustíveis e dos projetos para a agricultura familiar.

Veja abaixo alguns trechos do seminário:

Contexto econômico da agricultura mundial

Stédile: "Estamos em uma nova fase do capitalismo, na qual os setores mais dinâmicos de controle são os bancos e as grandes empresas transnacionais que controlam os ramos de produção em nível global. O neoliberalismo, em termos de modelo econômico, significa que agora as economias do mundo estão dirigidas pelos bancos e empresas, esse é o novo poder econômico dos capitalistas. Nos últimos 15 anos, o capital fez esse movimento de construir grandes empresas para dominar todos os setores da economia. Luz elétrica, telefone, transporte, fábricas, etc, está tudo sob o controle desse capital estrangeiro e internacional."

Singer: "Os alimentos começaram a subir em 2006. O que está acontecendo é que, em diversos países, a chamada classe c deixou de comer comida de milho e trigo para comer carne e laticínios. O consumo de carne no Brasil aumentou 70%, e o mesmo acontece hoje na Índia. Quando comemos cereais, nós comemos a planta. Quando comemos carne, consumimos as duas coisas, a carne e a planta, mas o problema é que precisamos de sete quilos de cereal para obter um de carne bovina. A demanda por alimentos subiu, e isso exige muito mais terra, sol, água e trabalho humano."

Aquecimento global

Singer: "Se nós quisermos ter uma vida mais longa e de maior qualidade, o padrão de consumo no mundo vai ter que mudar, inclusive para brasileiros, indianos e chineses. Teremos que fazer um só automóvel levar mais gente, criar bolsões de bicicleta e ciclovias, entre outras coisas. O aquecimento global deve ser contido o mais depressa possível. Todos temos algo a fazer, apesar de o aquecimento ter sido causado pelo uso irresponsável dos recursos naturais pelo grande capital. Teremos que voltar a uma dieta de cereais. Seremos condenados à fome se não mudarmos nossa forma de alimentação."

Stédile: "Um grande problema é a falta de acesso à água potável para a maioria dos seres humanos. Setenta por cento da água potável do planeta é utilizada para irrigar o agronegócio e só 30% é destinada aos animais e às pessoas."

Petróleo e Biocombustíveis

Stédile: "os três maiores produtores do mundo, que são Irã, Rússia e Venezuela, estão contra os EUA. Uma aliança entre as empresas petroleiras, automotivas e o mercado financeiro passou a estimular a produção de agrocombustíveis, como uma falsa forma de combate à poluição, para conseguir seus objetivos de manter a margem de lucro e a utilização do veículo individual. A produção de agrocombustíveis, por si só, não é solução. Não adianta combustíveis mais saudáveis se não trocar essa matriz de transporte individual. Agora querem usar a mesma terra para produzir os agrocombustíveis."

Agricultura familiar e agroenergia

Stédile: "podemos produzir energia sustentável, que dê mais renda e cidadania. Temos que criar em cada município pólos de produção de energia para que o agricultor familiar não dependa mais da Petrobras. Se fizermos isso em todo o Brasil, vocês vão ver que o povo vai se apoderar. Não existe independência política e econômica sem soberania alimentar. Precisamos produzir nossa própria energia."

Singer: "O que a humanidade está pedindo é uma nova revolução agrícola, diferente da Revolução Verde sobre a qual se basearam os conceitos do agronegócio. O passado se tornou o futuro, e hoje aqueles que detiveram os conhecimentos da agricultura ecológica são a nossa esperança. A agricultura familiar hoje é mais rentável do que a agricultura quimificada. Os insumos ficaram muitos caros por causa do preço do petróleo. A agricultura familiar é menos nociva para o meio ambiente e mais segura para os trabalhadores do que o agronegócio. Estamos numa baita crise, mas nós sabemos o caminho para sair dela. Precisamos de políticas nacionais e internacionais que regulem a forma de usar o solo e a água. Não é para outra geração, é para ontem. Os agricultores familiares são a nossa esperança."

5 de maio de 2008

Os grandes desafios de nosso tempo

No plano econômico estamos à beira de uma recessão econômica internacional que começou nos Estados Unidos e está se refletindo na Europa e no resto do planeta. No plano político, os grandes problemas que afetam o mundo ainda não encontram uma resposta global. Existe um grave vazio na ordem mundial. A análise é do ex-presidente de Portugal, Mario Soares.
LISBOA - O mundo – e o Ocidente, em particular – estão atravessando uma fase de transição e de grande insegurança, que, por se manifestar em diferentes planos, torna imprevisíveis os próximos tempos. No plano econômico estamos à beira de uma recessão econômica internacional que começou nos Estados Unidos e está se refletindo na Europa e no resto do planeta. Ainda não sabemos se irá se agravar ou começará a ser superada, o que não depende apenas do Ocidente, mas também de múltiplos fatores internacionais, como o aumento ou a baixa dos preços do petróleo, ou o comportamento das economias emergentes.

O capitalismo especulativo está em um pantanal, já que a economia especulativa tem hoje pouco a ver com a economia real. Cria-se e perde-se grandes fortunas nos paraísos fiscais, onde circula impunemente o chamado dinheiro sujo, proveniente da droga e de outros comércios ilícitos (tráfico ilegal de armas, de órgãos humanos, da prostituição, etc) enquanto a economia real está gerando desemprego, paralisação econômica, inflação, crise na bolsa e no crédito imobiliário, irregularidades e quebras de instituições bancárias e de seguros ate agora consideradas intocáveis.

Por sua vez, as organizações financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional – que não dependem, como deveria ser, das Nações Unidas – se mostram obsoletas e incapazes de enfrentar a crise financeira em curso. O mesmo se pode dizer da Organização Mundial do Comercio – também fora do âmbito da ONU – onde os necessários consensos com os países emergentes e em desenvolvimento são cada vez mais difíceis de serem estabelecidos.

Nestes tempos de globalização – não apenas econômica, mas também científica, tecnológica, informática e de um novo fenômeno que é a nascente formação de uma opinião pública mundial – os grandes problemas que afetam o mundo ainda não encontram uma resposta global, que apenas poderia consistir em uma profunda reestruturação da ONU e de seu Conselho de Segurança. E o G-8, que agrupa as maiores potências, não passa de um diretório das nações ricas, carente de legitimidade para orientar o mundo, como mostra a experiência dos últimos anos. Existe, portanto, um grave vazio na ordem mundial.

Quais são os maiores problemas que afetam o mundo contemporâneo e que, se não forem resolvidos em um prazo razoável envolvem uma ameaça para a humanidade? Enumero por ordem de importância. Em primeiro lugar as mais graves questões ambientais? O buraco na camada de ozônio, o aquecimento da Terra e as mudanças climáticas, a contaminação da água e do lençol freático, a desertificação, a redução da biodiversidade, o progressivo desaparecimento das florestas, a degradação urbana.

A fome e a pobreza endêmica que afetam mais de dois terços da população mundial apesar de a ciência e a tecnologia disporem de recursos para eliminar facilmente esses problemas com a condição de que haja vontade política para enfrentá-los. A violência – fomentada pela violência cotidiana propagada pelos meios de comunicação – os conflitos, as guerras, o comércio ilimitado de armas e a corrida armamentista nuclear às quais são incapazes de por um freio as potências e as instituições internacionais.

As pandemias com a da Aids e outras doenças que haviam sido erradicadas e que ressurgem, com a tuberculose, a malária e outros desafios que somente podem ter uma resposta global. O fanatismo religioso e político, a perda de valores nas sociedades consumistas e hedonistas de nosso tempo, o desprezo pelos problemas sociais, ambientais e pelos direitos humanos.

Tudo isto forma uma profunda crise mundial, comparável à vivida no começo da Segunda Guerra Mundial, depois das avassaladoras vitórias militares de Hitler e do imperialismo japonês, quando alguns pessimistas vislumbravam “um retrocesso de mil anos”. Mas nessa oportunidade, como agora, não podemos – nem devemos – perder a esperança e deixar de lutar pelos valores do humanismo universal.

A ordem mundial é novamente multilateral. O império norte-americano como tal está em vias de desaparecer. As soluções para os problemas que enfrentamos não dependem apenas, como se pensava no começo deste século, do Ocidente (Estados Unidos e Europa). Hoje também contam os chamados países emergentes, Brasil, Rússia, China e India – e outros mais como Japão, México, África do Sul, Irã, Egito e Turquia. Isto quer dizer que o Ocidente deve entender que tem de negociar com esses países, bem como ajudar na reforma da ONU se quer realmente enfrentar os grandes desafios de nosso tempo.

Muito depende ainda dos Estados Unidos e de seu próximo presidente. Seja quem for, terá que mudar radicalmente as políticas interna e externa de Washington, se quiser evitar que sua nação entre em decadência. Por sua vez, a União Européia deve ter a coragem de definir uma estratégia autônoma e indicar o rumo que seguirá nos próximos anos na esfera institucional e como ator global no cenário internacional.

Fonte: Agência Carta Maior


Comentários: Acrescentaria ainda a essa lista do ex-presidente português a Coréia do Sul , se não agora, com certeza em longo prazo.

Parte da decadência norte-americana deve vir a ser confirmada por meio de mudanças reais de postura e de rigidez nos acordos econômicos de forma geral, principalmente em conferências de negócio como Davos e OMC. Infelizmente, tais encontros ditam as regras comerciais no mundo, influenciam o arranjo das políticas fiscais dos países participantes e impedem de modo direto o crescimento dos países do Terceiro Mundo, como já é sabido.

O problema agora para os EUA é descobrir quem no mundo quer estar próximo duma economia em chamas???

27 de abril de 2008

Cuba, China e o "Mal da Discussão Desfocada"

O que a mídia não conta...

...Graças à engenhosidade dos cubanos, aos esforços que contaram com o apoio da população e às novas relações comerciais com países como a Venezuela e a China, Cuba dispõe de uma economia mais forte e conseguiu resolver seu problema energético. Graças à “Revolução energética”, lançada em 2006, que consistiu em substituir as lâmpadas e os antigos eletrodomésticos, como televisores, refrigeradores, ventiladores e outros aparelhos elétricos, por produtos mais modernos cujo consumo é menor, milhões de cubanos foram beneficiados por toda uma gama de produtos eletrodomésticos novos com preços subvencionados pelo Estado, ou seja, abaixo de seu valor de mercado.

Atualmente, a economia de energia que foi conseguida permite enfrentar a demanda da população, o que explica a eliminação progressiva das restrições quanto à aquisição de novos aparelhos eletrodomésticos, computadores e outros, como reprodutores de vídeo. Assim, os cubanos têm acesso a uma seleção mais ampla de bens de consumo. Portanto, as limitações tinham como explicação apenas um fator econômico, isto é, uma produção de energia insuficiente. A imprensa ocidental não se incomodou em abordar estes elementos ao tratar do tema.

A mídia apressou-se em sublinhar, com razão, que muitos cubanos não poderiam ter acesso aos artigos à venda pelo valor de mercado devido ao seu elevado custo com respeito ao salário relativamente modesto vigente em Cuba. Não obstante, esta realidade concerne a uma parte imensa da população mundial, que vive na pobreza e cujas principais preocupações não são adquirir um reprodutor de DVD ou um microondas, mas, sim, comer três vezes por dia e ter acesso a saúde e educação, angústias inexistentes em Cuba.

Assim, segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sobre a insegurança alimentar no mundo, 854 milhões de pessoas em todo o planeta, entre elas 9 milhões nos países industrializados, sofrem de desnutrição. No continente americano somente três países já alcançaram os objetivos da Cúpula Mundial da Alimentação 2015: Cuba, Guiana e Peru. Segundo a Unesco, atualmente, um de cada cinco adultos no mundo não é alfabetizado, ou seja 774 milhões de pessoas, e 74 milhões de crianças carecem de escolas. Segundo a Unicef, a cada dia mais de 26.000 crianças menores de cinco anos morrem de fome ou de doenças curáveis, ou seja 9,7 milhões de crianças por ano. Nenhum cubano faz parte destas listas...


Confira a matéria completa pelo link abaixo.

Fonte: Agência Carta Maior

Revirando a Teoria diz...

Muito ainda será discutido e registrado pela grande mídia sobre povos como os chineses, indianos e cubanos. Aliás, para os chineses parece que já começou com as declarações de apoio aos Tibetanos e boicote aos eventos da tocha olímpica pelo mundo.

Vai ser imensa a dedicação da imprensa mundial em execrar o estilo de vida e a cultura chinesa de modo geral. O duro é começar engolir qualquer ladainha, tipo "chinês trabalha por qualquer miséria" ou "a China só cresce porque tem mão-de-obra barata", e por aí vai.

Mas então, quais as questões e assuntos que realmente devem ser debatidos??
Por exemplo:
1) Quais mecanismos a China utiliza para incorporar a gestão e a tecnologia das multinacionais?
2) Como o Estado Chinês atua na determinação das políticas fiscais e monetárias que regem essa economia que cresce, em média, quase 10% ao ano?
3) Como funcionam os instrumentos de distribuição de conhecimento e de renda na China?
4) Como se organizam e se relacionam o povo chinês? Será que o fato de serem budistas e confucionistas alteram seus princípios e suas manifestações culturais?

A verdade é que a mídia está e estará evitando uma discussão como essa. Isso, por opção mesmo, como já sabemos. Esse câncer costuma ser lembrado nos artigos do jornalista Luis Nassif e do geógrafo Elias Jabbour e aqui vamos nomeá-lo de "Mal da Discussão Desfocada" ou, porque não, de "Doença da Discussão Desfocada".

Atinge quase a totalidade dos brasileiros. Na verdade, é crônica principalmente nas pessoas que costumam formar sua opinião embasados numa notícia da Globo, da Veja, da Folha, do Estadão e cia. Ou seja, quase o país inteiro. O "MDD" estraga todas as tentativas de entendimento e conciliação política entre amigos num bar, por exemplo.

Entretanto, é fato que a liderança econômica chinesa tende a se firmar em longo prazo. A capacidade do modelo de organização do povo chinês será posta à prova contra o modelo de desenvolvimento capitalista vigente. Talvez seja necessária uma nova roupagem, pois o debate capitalismo versus socialismo foi o mais prejudicado pelo "MDD", e as definições tanto de socialismo quanto de Estado Socialista perderam seu sentido original e hoje estão indissociáveis do socialismo da URSS. Falar em socialismo é lembrar daquela época e daquela história. Ninguém sabe o que veio antes nem depois, "...sabe-se que não deu certo, e pronto".

Daqui pra frente, vai ser comum a grande mídia caracterizar o modelo chinês como capitalista. É nesse momento que se faz necessário retomar as definições de mercado de exportações, socialismo de mercado e economia planificada. O modelo de crescimento da China pode ser muita coisa, mas simplesmente capitalista não é. A reforma agrária chinesa aconteceu na década de 70 com Deng Xiaoping. A infra-estrutura industrial foi armada já faz algum tempo, por meio de uma série de mecanismos de relacionamento interno e integração nacional. Mas o dado que fala por si é: das 500 maiores empresas chinesas, mais de 400 são estatais.

Haverá dedicação intensa da grande mídia em ocultar as características e as ações de caráter socialista que vêm sendo realizadas na China. Além, de aos poucos ir misturando definições básicas de uma discussão, assim torna-se impossível diferenciar conceitos simples como modelo de produção capitalista e modelo de produção para exportação. É esse mecanismo que fomenta o "MDD" nas pessoas e, até mesmo, em nossos amigos e parentes. O "MDD" é perigosíssimo, pode-se passar horas em debates calorosos sem resultar num aprendizado decente.

25 de abril de 2008

Paul Singer e a Economia Solidária

A Economia Solidária é uma alternativa ao modelo de organizações "capitalistas" em vigor. Na economia solidária não existem patrões e empregados, todos são donos e funcionários do negócio, e o objetivo principal não é a geração de lucro, mas sim a melhoria da vida dos membros do empreendimento solidário. O conceito de Economia Solidária, apresentado abaixo, foi desenvolvido por Paul Singer:

"Economia Solidária é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano - e não do capital - de base associativista e cooperativista, voltada para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços, de modo autogerido, tendo como finalidade a reprodução ampliada da vida. Assim, nesta economia, o trabalho se transforma num meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, criando uma alternativa à dimensão alienante e assalariada das relações do trabalho capitalista."

Campanha Nacional de Divulgalção da Economia Solidária






Introdução da entrevista de Paul Singer para Paulo Donizetti de Souza publicada na Revista Brasil (leia a entrevista aqui)
Paul Singer figura, possivelmente, entre os mais conceituados intelectuais do Brasil. Sua obra é ingrediente obrigatório na biblioteca de quem queira entender o Brasil. Com a fala serena de um mestre, Singer fala de seu país
com a coerência que o acompanha em mais de meio século de militância política de esquerda. Critica com pesar, mas sem meias palavras, os rumos da economia. Fala dos vacilos do governo e do PT; e torce pela reeleição de Lula.
Esse brasileiro nascido na Áustria há 74 anos já foi metalúrgico (eletrotécnico), é um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) junto com intelectuais da academia perseguidos pelo regime militar. Professor da Unesp e da FEA/USP, foi secretário de Planejamento paulistano na gestão de Luiza Erundina e, desde 2003, comanda a Secretaria Nacional de Economia Solidária criada pelo atual governo dentro do Ministério do Trabalho. Para Paul Singer, a economia solidária não é mera alternativa para gerar ocupação em tempos de crise, como pensam alguns, mas uma ferramenta de construção de um novo modelo econômico pautado pelo humanismo, a justiça social, a cooperação mútua e a solidariedade.

Entrevista com Paul Singer (Trecho do documentário "A Cura" de David Calderoni)



Links relacionados:
Paul Singer na wikipedia
Economia Solidária na wikipédia
Fórum Brasileiro de Economia Solidária
Ecosol
Secretaria Nacional de Economia Solidária
Estudo sobre Paul Singer

Patch Adams - o sábio

Dia 05 de Novembro de 2007 aconteceu o Roda Viva da TV Cultura com o médico revolucionário Patch Adams - na verdade, um mestre da sabedoria!!... Programa memorável.

Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 1

Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 2
Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 3
Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 4
Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 5


Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 6 ---> A revelação:


Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 7
Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 8
Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 9
Patch Adams Roda-Viva 2007 - parte 10 - Final

Patch Adams dá uma aula de história e política. Em todos os momentos da entrevista, o médico tentou conduzir a conversa para temas críticos - como o jogo midiático, as imposições econômicas sobre o Terceiro Mundo e o questionamento do arranjo social contemporâneo - que realmente devem ser debatidos pela mídia.

19 de abril de 2008

“Lula perdeu oportunidade histórica”, diz MST

por Eduardo Sales

da Redação

Fonte: Agência Brasil de Fato

Dois nomes entre dezenove mortos. Altamiro e Oziel. O primeiro, residia em Eldorado do Carajás; o segundo, em Parauapebas. Assassinados à queima-roupa pela Polícia Militar do Pará, em 17 de abril de 1996, hoje eles fazem parte dos mortos, como Keno, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná, que alimentam e semeiam a esperança pela realização, de fato, de uma política de reforma agrária no Brasil. Obrigadas a ter essa esperança, mais de 150 mil famílias sem-terra acampadas em todo o país resistem.

Em 17 de abril é celebrado o Dia Internacional de Luta Camponesa. Mas a Jornada de Lutas por Reforma Agrária do MST já mobilizou, desde o dia 11, famílias acampadas e assentadas em 16 Estados, além do Distrito Federal: Maranhão, Rio Grande do Norte, Brasília, no Rio Grande do Sul, no Espírito Santo, em Santa Catarina, no Paraná, em Pernambuco, em Sergipe, em São Paulo, em Alagoas, em Goiás, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, na Bahia e Pará.

As atividades já envolveram mais de 10 mil trabalhadores. Além de lembrar os 12 anos do Massacre de Carajás, as ações enfocam a necessidade de agilizar a desapropriação de fazendas improdutivas para a reforma agrária e a liberação de crédito para os assentamentos. Em abril de 2007, o governo federal prometeu liberar crédito para a construção de 31 mil habitações rurais, mas foram contratadas apenas 2 mil. Além da dificuldade na desapropriação, as famílias assentadas têm dificuldades para acessar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que não considera as especificidades das áreas de reforma agrária. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) disponibilizou R$ 12 bilhões para o Pronaf, na safra 2007/2008 (custeio, investimento e comercialização), mas os assentados não conseguiram acesso nem a 15% dos contratos.

Além da dificuldade no acesso ao crédito, menos famílias estão sendo assentadas. Segundo números oficiais do governo, em 2007, foram assentadas somente 70 mil famílias, pouco mais da metade de 2006, quando foram assentadas 136 mil famílias. A polêmica não se encerra nisso. Especialistas na questão agrária apontam também que o governo divulga equivocadamente que cumpriu a meta do Plano Nacional de Reforma Agrária

Para o economista Pedro Ramos, há uma contradição muito grande no discurso do governo. “Na época da confecção do 2º Plano Nacional Reforma Agrária (PNRA), foi dito que o governo ia apostar mais na qualidade do que na quantidade dos assentamentos”, lembra Ramos. E qualidade, nesse caso, é aumento do crédito ao assentados. Segundo o economista, os empresários do agronegócio sempre têm alternativas de auxílio, diferentemente dos assentados. “O governo não facilita a produção e a comercialização e nem cria uma política de seguros de assentados”, reforça o economista.

Para ilustrar essas “alternativas” que favorecem o agronegócio, somente o Banco do Brasil emprestou 7 bilhões de dólares para 15 grupos econômicos, enquanto que os assentamentos não têm apoio suficiente, como diz a integrante da coordenação nacional do MST, Marina dos Santos. Mais negativo é que esse fortalecimento do agronegócio, segundo indica Gilmar Mauro, também da coordenação nacional, provoca uma disputa do território, elevação do preço da terra e uma dificuldade enorme para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) poder efetivamente desapropriar terra.

Chance perdida

Para Gilmar, o governo Lula perdeu a chance histórica de instaurar, de fato, uma política voltada à reforma agrária. “Eu acho que se perdeu essa oportunidade. O que temos visto no governo Lula é que, além de não priorizar a reforma agrária, ela se transforma numa espécie de política social compensatória e, somado a isso, essa política tem estimulado o avanço do agronegócio com o objetivo de obter superávits comerciais”, conclui.

Mais outro integrante da coordenação nacional do movimento, José Batista de Oliveira, argumenta que o governo Lula “optou por implementar um modelo submisso ao capital internacional com agravantes de destruição ambiental, de superexploração do trabalho, de concentração da terra”.

Foto de Araquém Alcântara: www.araquem.com.br

18 de abril de 2008

Proibidas as Olimpíadas aos cães e aos chineses

IL GRANDE ARCHITETTO BRASILIANO OSCAR NIEMEYER

ADERISCE ALL'APPELLO

Uma sórdida campanha de demonização da República Popular Chinesa percorre o planeta. Quem a dirige e orquestra são governos e órgãos de imprensa inteiramente dedicados a dar aval ao martírio interminável do povo palestino, e sempre prontos a desencadear e apoiar guerras preventivas como a que no Iraque produziu centenas de milhares de mortes e milhões de refugiados.

Agita-se a bandeira da independência (por vezes camuflada de “autonomia”) do Tibet, mas se esse objetivo viesse a realizar-se, a mesma palavra de ordem seria lançada também para o Grande Tibet (uma área três vezes maior que o Tibet propriamente dito) e em seguida para o Sin-kiang, para a Mongólia interna, para a Manchúria e ainda para outras regiões. Na verdade, com seu enlouquecido projeto de dominação planetária, o imperialismo visa desmembrar um país que há muitos séculos se constituiu sobre uma base multiétnica e multicultural onde hoje chegam a conviver 56 etnias. Não é sem significado o fato de que à frente dessa Cruzada não encontra-se o Terceiro Mundo, que olha para a China com simpatia e admiração, mas o Ocidente que desde as guerras do ópio precipitou o grande país asiático no subdesenvolvimento causando-lhe uma imensa tragédia, da qual um povo que representa um quinto da humanidade está finalmente saindo.

Com base nas palavras de ordem análogas às que hoje são gritadas contra a China, se poderia promover o desmembramento de diversos países europeus como a Inglaterra, a França, a Espanha e a Itália onde não faltam movimentos que reivindicam a “libertação” e a secessão da Padánia.

O Ocidente que pousa de Santa Sé da religião dos direitos humanos não gastou uma palavra sequer sobre os pogrom antichineses que em Lhasa no dia 14 de março custaram a vida de civis inocentes, de velhos, mulheres e crianças. Enquanto proclama de chefiar a luta contra o fundamentalismo, o Ocidente transfigura na forma mais grotesca o Tibet do passado (fundado sobre a teocracia, sobre a escravidão e sobre a servidão das massas) e se prostra diante de um Deus-Rei, concentrado em constituir um Estado sobre a pureza étnica e religiosa (também uma mesquita tem sido assaltada em Lhasa), querendo anexar a esse Estado territórios que são habitados sim por tibetanos, mas que nunca foram administrados por um Dalai Lama: trata-se do projeto do Grande Tibet fundamentalista caro àqueles que querem colocar em crise o caráter multiétnico e multicultural da República Popular Chinesa para conseguir desmembrá-la mais facilmente.

No final do século XIX, na China, na entrada das concessões ocidentais deixava-se bem visível a placa: “Proibido o ingresso aos cães e aos chineses”. Esta interdição não desapareceu, sofreu apenas alguma variação, como demonstra a campanha para sabotar ou comprometer de qualquer maneira as Olimpíadas de Pequim: “Proibidas as Olimpíadas aos cães e aos chineses”. A Cruzada antichinesa em curso está em total continuidade com a longa e abjeta tradição imperialista e racista.

Domenico Losurdo, filosofo
Gianni Vattimo, filosofo
Luciano Canfora, storico
Carlo Ferdinando Russo (direttore di «Belfagor»)
Angelo d’Orsi, storico
Ugo Dotti, storico della letteratura italiana
Guido Oldrini, filosofoMassimiliano Marotta, presidente della Società di studi politici

Isso mesmo a carta é assinada pelo grande arquiteto verde-amarelo Oscar Niemeyer.

Fonte: Blog do filósofo italiano Domenico Losurdo

17 de abril de 2008

Interesses privados e universidade pública

Uma das faces da privatização do financiamento universitário aparece na área da pesquisa. A redução dos investimentos públicos em educação superior faz com que empresas passem a financiar determinadas pesquisas, nas quais têm interesses de curto prazo. Essa prática ameaça a autonomia universitária e qualidade da pesquisa básica.
A mercantilização das universidades é uma realidade com muitas faces. Uma delas é a privatização do financiamento universitário. Hoje em dia, como resultado da redução do gasto público em educação superior, as empresas privadas passaram a financiar ativamente as universidades e, especificamente, determinadas atividades de pesquisa nas universidades.

A Comissão Européia incentiva os países membros a que promovam a participação do setor privado em pesquisa e desenolvimento. Concretamente, recomenda que dois terços dos gastos em pesquisa e desenvolvimento dos países sejam cobertos a partir das contribuições das empresas. Os governos, visando incentivar o investimento empresarial na pesquisa universitária, promovem a introdução de mudanças na legislação sobre patentes para favorecer a compra e venda das descobertas, toleram (ou promovem ativamente) a subcontratação de pesquisa universitária por parte de empresas privadas, criam parques tecnológicos/industriais nas universidades (que irão beneficiar o setor privado) e outras parcerias público-privadas para criação de conhecimento, entre muitas outras medidas.

No contexto anglo-saxão, o financiamento empresarial atingiu níveis tão elevados que, inclusive, departamentos inteiros são financiados por uma única empresa. Este é o caso da aliança entre a British Petroleum (BP) e a Universidade de Berkeley (Calfórnia) para a criação do Energy Biosciences Institute. A função principal deste novo instituto é desenvolver uma pesquisa sobre biocombustíveis criados a partir de cereais modificados geneticamente. A petroleira entra com 500 milhões de dólares para financiar o instituto durante dez anos. Em troca, tem direito de explorar comercialmente todos os resultados obtidos.

Uma relação mais acentuada entre pesquisadores universitários e empresas permite que entrem mais recursos nas universidades, mas, ao mesmo tempo, altera as funções tradicionais das universidades públicas e tem efeitos socialmente perversos. Em primeiro lugar, implica que os conhecimentos e as descobertas feitas no setor público podem passar a ser controlados por capital privado. Esta apropriação pode ocorrer de diferentes maneiras. Um modo habitual é que a empresa que subcontrata uma pesquisa com a universidade passa a ter prioridade na hora de explorar a patente resultante da pesquisa.

Muitas vezes, as empresas, mesmo sem ter financiado o processo de pesquisa, vão à “caça de patentes” resultantes da pesquisa universitária. Deste modo, o investimento público em pesquisa não é usufruído por toda a sociedade, senão que o maior proveito fica com as empresas privadas. Outras vezes, são os próprios pesquisadores universitários que se esforçam por vender produtivamente a patente de resultante de seus estudos para empresas do setor. Seja qual for o processo, o resultado é a apropriação privada do conhecimento e, conseqüentemente, as descobertas da pesquisa não são publicadas. Assim, é enfraquecida uma função primordial da universidade: seu papel como disseminadora de conhecimento. Um conhecimento que, além disso, ao não se tornar público também não vai gerar novo conhecimento.

Uma segunda repercussão do financiamento privado da pesquisa é que o mundo dos negócios determina as prioridades e a agenda da pesquisa universitária. Hoje em dia, muitos pesquisadores e departamentos universitários buscam obter recursos em concursos de pesquisa promovidos pelo setor privado, cujas bases estão estruturadas, principalmente, considerando os interesses da parte que dará o financiamento. Muitos pesquisadores alteram suas prioridades para adaptar-se àquilo que pode ser financiado mais facilmente. Deste modo, enfraquece-se um princípio fundamental das universidades: a autonomia universitária, uma vez que os temas de pesquisa são escolhidos em função de critérios de rentabilidade e não de critérios acadêmicos.

Em terceiro lugar, os resultados da pesquisa podem ser alterados para favorecer (ou para não prejudicar) os interesses da entidade financeira. Isto, mais uma vez, afeta a liberdade de cátedra e a autenticidade do conhecimento que é disseminado. Diante deste risco, a revista acadêmica New England Journal of Medicine ofereceu desculpas públicas em seu número de fevereiro de 2002. Concretamente, a desculpa foi porque o comitê editorial da revista percebeu que metade dos artigos em que eram avaliados medicamentos e que haviam sido publicados desde 1997 tinham sido escritos por pesquisadores vinculados economicamente com indústrias farmacêuticas que fabricavam os produtos avaliados. Assim, a credibilidade e o rigor da entrevista eram questionáveis.

Por outro lado, quando os resultados obtidos pelos pesquisadores contradizem os interesses da empresa que está financiando e, por esta razão, não são publicados, a situação torna-se ainda mais grave devido à introdução de censura —ou de autocensura— nas universidades. Em certas ocasiões, os acadêmicos com espírito crítico que optam por tornar públicos os resultados, mesmo quando vão de encontro aos interesses dos grupos empresariais que financiam a pesquisa, ficam expostos a perder seu posto de trabalho.

Isso foi o que aconteceu com a Dra. Nancy Olivieri, da Universidade de Toronto. Olivieri é especialista em uma estranha doença do sangue, a talasemia, e teve que enfrentar a farmacêutica Apotex quando divulgou que um fármaco dessa companhia podia provocar efeitos colaterais letais. A empresa acossou a Dra. Nancy com uma descomunal campanha de desprestígio e sua universidade, que mantém vínculos financeiros com Apotex, tentou destituí-la. Finalmente, não conseguiram fazê-lo graças a uma campanha de pressão do movimento estudantil e de seus companheiros e companheiras da universidade.

Finalmente, uma última repercussão é a perda de qualidade e excelência acadêmica no âmbito da pesquisa. É preciso considerar que as empresas costumam financiar pesquisa aplicada, mas não mostram tanto interesse pela pesquisa básica. Os resultados da pesquisa aplicada podem ser explorados em prazos mais curtos e seus objetivos são, como explicita o nome, a aplicabilidade dos resultados. Em compensação, a pesquisa básica tem como objetivo aprofundar em discussões teóricas e não pode ser instrumentalizada de maneira tão imediata. Contudo, a pesquisa básica é fundamental para o avanço do conhecimento e para a futura criação de nova e melhor pesquisa aplicada.

Para concluir, gostaria de lembrar que o vínculo universidade-sociedade é um dos pilares da universidade moderna e com ele se busca favorecer a extensão do conhecimento universitário para todos os âmbitos da sociedade. Contudo, devido ao aumento do gasto privado nas universidades existe o risco de que o vínculo universidade-sociedade fique restrito ao vínculo da universidade com a empresa privada. Conseqüentemente, a atividade e as funções da academia estariam sendo subordinadas aos objetivos de lucro do mundo dos negócios.

Fonte: Agência Carta Maior

14 de abril de 2008

Milho transgênico da Monsanto é banido da Romênia por falta de segurança

O governo romeno anunciou no dia 27 de março que vai banir do país o milho geneticamente modificado MON 810 da Monsanto. A decisão é particularmente importante já que o milho é o único cultivo comercial de transgênicos permitido na Europa. Essa variedade é a mesma que foi aprovada em 2007 para plantio comercial no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A Romênia é o principal produtor de milho da União Européia em total de hectares plantados, com cerca de 3 milhões de hectares cultivados anualmente. Do milho MON 810 foram plantados 300 hectares no país desde 2007, representando apenas 0,01% do total de produção de milho da Romênia.

Com o anúncio do ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Romênia, Attila Korodi, o maior produtor de milho da Europa se tornará livre de transgênicos. A Romênia é o oitavo país da Europa a banir o cultivo de variedades transgênicas, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suíça e Polônia.

Preocupações sobre a segurança do milho MON 810 levaram o governo romeno a agir. Estudos científicos mostram que o milho MON 810 provoca danos à fauna, solo e saúde humana. Sua toxina embutida, programada para matar uma de suas pragas, entra no solo e provoca danos a minhocas, borboletas e aranhas. Provas de sua segurança para a saúde humana e animal são inconclusivas.

Um recente estudo do professor Gilles Eric Séralini, especialista do governo alemão em transgênicos da Universidade de Caen, encontrou sinais de toxicidade nos órgãos internos de animais alimentados com milho transgênico.

No final de 2007, o Comissário da União Européia para o Meio Ambiente, Stavros Dimas, usou estudos similares para bloquear o cultivo de outras duas variedades de milho transgênico, parecidos com o MON 810, na União Européia. Ele também fez referências a novos estudos que mostram que a toxina Bt produzida pelo milho transgênico tem efeitos negativos nos ecossistemas aquáticos.

"Enquanto a Europa proíbe o milho MON 810, da Monsanto, o Brasil está pronto para abrir suas terras a essa variedade transgênica suspeita de causar tantos problemas", critica Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. "Esse milho foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e autorizada pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), que reúne 11 ministros. Deram às costas para o meio ambiente e à saúde dos brasileiros, privilegiando o agronegócio e uma tecnologia que não consegue comprovar sua segurança".

Contaminação genética

A contaminação de plantações convencionais por transgênicos é um problema sério. Em 2007 apenas, houve 39 novos casos de contaminação em 23 países. Apesar disso, não há padrões internacionais para responsabilizar as empresas de biotecnologia pelos danos causados e perdas financeiras.

O relatório Registro de Contaminação Transgênica 2007 (sumário executivo em português), produzido anualmente pelo Greenpeace e pelo Gene Watch UK, já constatou 216 casos de contaminação genética em 57 países diferentes, desde que as plantações geneticamente modificadas começaram a ser feitas comercialmente (em 1996).

Fonte: Agência Brasilde Fato - 03 /04/2008

11 de abril de 2008

Os maiores símbolos culturais do mundo...

É notável a preocupação e o trabalho dispendido pelos orientais no intuito de promover o fortalecimento cultural e o sentimento de identidade nacional no país. O Revirando a Teoria vai divulgar a lista de todas as maiores estátuas já construídas (ou ainda em construção) na face da Terra.

A idéia
aqui não é uma glorificação de obras faraônicas, mas sim a aceitação daquilo que é inerente ao ser humano. O grandioso nos atrai. Quando vemos algo grande, pensamos e sentimos grande também... é só. Assim como a idéia aqui também não é fazer qualquer tipo de apologia ao Buddha. Nós brasileiros precisamos de obras desse porte como estímulo sim, mas com nossos heróis e nossas histórias.

Essa lista nos revela certas malícias:
Primeiro - Os EUA querem ser primeiro em tudo e essa obra deles num parece o índio Cavalo Louco nem f.....
Segundo - Os povos orientais se utilizam muito bem de seus símbolos de conduta para se fortalecerem culturalmente. Com destaque para China, Japão e Índia, respectivamente. Fazem isso pois possuem conhecimento e gosto pela arte e pela arquitetura.
Terceiro - Os Orientais modelam sua sociedade por meio do Buddha, símbolo de bondade e da superação. As estátuas européias são todas em "homenagem" à alguma guerra.
Quarto - O Brasil fica com histórinha de Redentor é Maravilha Moderna... papinho... A Globo gastou tempo e dinheiro fazendo marketing pro Cristo. Todo mundo que chega de frente com ele, fala que ele na verdade é pequeno. Tinha que impressionar de verdade! Só isso...
Quinto - Querendo ou não, é assim que funciona. Cabe ao povo brasileiro eleger símbolos que representem de alguma maneira nossa causa. O Redentor não é tão mal assim, mas é presente dos franceses e representa mais uma afirmação comercial entre Brasil e França (até mesmo Brasil - Europa) do que um símbolo de motivação e inspiração para o cidadão brasileiro. E tem que pagar pra entrar... vexame!

A liderança de japoneses, chineses e indianos em construções de estátuas e monumentos é mais que mera coincidência... é transformar o país numa equipe, numa equipe com uma visão só, dividida por todos. Insistimos, não é uma exaltação ao "maior de todos", num é isso.

Mas, uma estátua ou um monumento dessas proporções representa a afirmação popular de um compromisso com aquele determinado símbolo cultural. Por sua vez, o símbolo deve representar de alguma forma a mudança e a melhoria para aquela sociedade.


1° Crazy Horse Memorial - 172m - EUA (em construção)

Esse é o modelo...

2° The Maitreya Buddha Project - 152m - Índia (em construção)

O Maitreya Buddha Project
mereceu um post só pra ele, revire o projeto mais afundo em Arquitetura:

3° Spring Temple Buddha - 128m - China

Essa última foto é do GoogleEarth... tá fácil uma obra dessa!

4° Ushiku Daibutsu - 120m - Japão



4° Birth of the New World - 120m - Porto Rico (em construção)

Essa é só o modelo...
6° Laykyun Setkyar Buddha - 116m - Myanmar
7° Nanshan Haishang Guanyin - 108m - China
8° Emperors Yan and Huang - 106m - China

9° Sendai Daikannon - 100m - Japão
10° Peter The Great - 96m - Russia
11° Grand Buddha at Ling Shan - 88m - China
11° Dai Kannon at Kita no Miyako - 88m - Japão
13° Rodina-Mat' Zovyot! Motherland Calls - 85m - Russia
14° Awaji Kannon of Awaji Island - 80m - Japão
15° Great Standing Maitreya Buddha of Beipu - 72m - Taiwan

16° Leshan Giant Buddha - 71m - China


Esse merece inúmeras fotos... é na montanha mesmo...
17° Mother Motherland - 62m - Ucrânia

17° Jibo Kannon at Narita-san temple of Kurume - 62m - Japão

17° Guan Yin at Mount Xiqiao of Nanhai district - 62m - China
E o Brasil?? Cadê o Cristo da Cidade Maravilhosa?

54° Cristo Redentor - 39.6m - (32m a estátua) - Brasil

Parece piada...mas não é... a Virgem da Paz da Venezuela já é bem maior e aquela que vai construir em Porto Rico então...Critique esse post imenso ou deixe sugestões de temas a serem revirados...