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5 de maio de 2008

Os grandes desafios de nosso tempo

No plano econômico estamos à beira de uma recessão econômica internacional que começou nos Estados Unidos e está se refletindo na Europa e no resto do planeta. No plano político, os grandes problemas que afetam o mundo ainda não encontram uma resposta global. Existe um grave vazio na ordem mundial. A análise é do ex-presidente de Portugal, Mario Soares.
LISBOA - O mundo – e o Ocidente, em particular – estão atravessando uma fase de transição e de grande insegurança, que, por se manifestar em diferentes planos, torna imprevisíveis os próximos tempos. No plano econômico estamos à beira de uma recessão econômica internacional que começou nos Estados Unidos e está se refletindo na Europa e no resto do planeta. Ainda não sabemos se irá se agravar ou começará a ser superada, o que não depende apenas do Ocidente, mas também de múltiplos fatores internacionais, como o aumento ou a baixa dos preços do petróleo, ou o comportamento das economias emergentes.

O capitalismo especulativo está em um pantanal, já que a economia especulativa tem hoje pouco a ver com a economia real. Cria-se e perde-se grandes fortunas nos paraísos fiscais, onde circula impunemente o chamado dinheiro sujo, proveniente da droga e de outros comércios ilícitos (tráfico ilegal de armas, de órgãos humanos, da prostituição, etc) enquanto a economia real está gerando desemprego, paralisação econômica, inflação, crise na bolsa e no crédito imobiliário, irregularidades e quebras de instituições bancárias e de seguros ate agora consideradas intocáveis.

Por sua vez, as organizações financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional – que não dependem, como deveria ser, das Nações Unidas – se mostram obsoletas e incapazes de enfrentar a crise financeira em curso. O mesmo se pode dizer da Organização Mundial do Comercio – também fora do âmbito da ONU – onde os necessários consensos com os países emergentes e em desenvolvimento são cada vez mais difíceis de serem estabelecidos.

Nestes tempos de globalização – não apenas econômica, mas também científica, tecnológica, informática e de um novo fenômeno que é a nascente formação de uma opinião pública mundial – os grandes problemas que afetam o mundo ainda não encontram uma resposta global, que apenas poderia consistir em uma profunda reestruturação da ONU e de seu Conselho de Segurança. E o G-8, que agrupa as maiores potências, não passa de um diretório das nações ricas, carente de legitimidade para orientar o mundo, como mostra a experiência dos últimos anos. Existe, portanto, um grave vazio na ordem mundial.

Quais são os maiores problemas que afetam o mundo contemporâneo e que, se não forem resolvidos em um prazo razoável envolvem uma ameaça para a humanidade? Enumero por ordem de importância. Em primeiro lugar as mais graves questões ambientais? O buraco na camada de ozônio, o aquecimento da Terra e as mudanças climáticas, a contaminação da água e do lençol freático, a desertificação, a redução da biodiversidade, o progressivo desaparecimento das florestas, a degradação urbana.

A fome e a pobreza endêmica que afetam mais de dois terços da população mundial apesar de a ciência e a tecnologia disporem de recursos para eliminar facilmente esses problemas com a condição de que haja vontade política para enfrentá-los. A violência – fomentada pela violência cotidiana propagada pelos meios de comunicação – os conflitos, as guerras, o comércio ilimitado de armas e a corrida armamentista nuclear às quais são incapazes de por um freio as potências e as instituições internacionais.

As pandemias com a da Aids e outras doenças que haviam sido erradicadas e que ressurgem, com a tuberculose, a malária e outros desafios que somente podem ter uma resposta global. O fanatismo religioso e político, a perda de valores nas sociedades consumistas e hedonistas de nosso tempo, o desprezo pelos problemas sociais, ambientais e pelos direitos humanos.

Tudo isto forma uma profunda crise mundial, comparável à vivida no começo da Segunda Guerra Mundial, depois das avassaladoras vitórias militares de Hitler e do imperialismo japonês, quando alguns pessimistas vislumbravam “um retrocesso de mil anos”. Mas nessa oportunidade, como agora, não podemos – nem devemos – perder a esperança e deixar de lutar pelos valores do humanismo universal.

A ordem mundial é novamente multilateral. O império norte-americano como tal está em vias de desaparecer. As soluções para os problemas que enfrentamos não dependem apenas, como se pensava no começo deste século, do Ocidente (Estados Unidos e Europa). Hoje também contam os chamados países emergentes, Brasil, Rússia, China e India – e outros mais como Japão, México, África do Sul, Irã, Egito e Turquia. Isto quer dizer que o Ocidente deve entender que tem de negociar com esses países, bem como ajudar na reforma da ONU se quer realmente enfrentar os grandes desafios de nosso tempo.

Muito depende ainda dos Estados Unidos e de seu próximo presidente. Seja quem for, terá que mudar radicalmente as políticas interna e externa de Washington, se quiser evitar que sua nação entre em decadência. Por sua vez, a União Européia deve ter a coragem de definir uma estratégia autônoma e indicar o rumo que seguirá nos próximos anos na esfera institucional e como ator global no cenário internacional.

Fonte: Agência Carta Maior


Comentários: Acrescentaria ainda a essa lista do ex-presidente português a Coréia do Sul , se não agora, com certeza em longo prazo.

Parte da decadência norte-americana deve vir a ser confirmada por meio de mudanças reais de postura e de rigidez nos acordos econômicos de forma geral, principalmente em conferências de negócio como Davos e OMC. Infelizmente, tais encontros ditam as regras comerciais no mundo, influenciam o arranjo das políticas fiscais dos países participantes e impedem de modo direto o crescimento dos países do Terceiro Mundo, como já é sabido.

O problema agora para os EUA é descobrir quem no mundo quer estar próximo duma economia em chamas???

27 de abril de 2008

Cuba, China e o "Mal da Discussão Desfocada"

O que a mídia não conta...

...Graças à engenhosidade dos cubanos, aos esforços que contaram com o apoio da população e às novas relações comerciais com países como a Venezuela e a China, Cuba dispõe de uma economia mais forte e conseguiu resolver seu problema energético. Graças à “Revolução energética”, lançada em 2006, que consistiu em substituir as lâmpadas e os antigos eletrodomésticos, como televisores, refrigeradores, ventiladores e outros aparelhos elétricos, por produtos mais modernos cujo consumo é menor, milhões de cubanos foram beneficiados por toda uma gama de produtos eletrodomésticos novos com preços subvencionados pelo Estado, ou seja, abaixo de seu valor de mercado.

Atualmente, a economia de energia que foi conseguida permite enfrentar a demanda da população, o que explica a eliminação progressiva das restrições quanto à aquisição de novos aparelhos eletrodomésticos, computadores e outros, como reprodutores de vídeo. Assim, os cubanos têm acesso a uma seleção mais ampla de bens de consumo. Portanto, as limitações tinham como explicação apenas um fator econômico, isto é, uma produção de energia insuficiente. A imprensa ocidental não se incomodou em abordar estes elementos ao tratar do tema.

A mídia apressou-se em sublinhar, com razão, que muitos cubanos não poderiam ter acesso aos artigos à venda pelo valor de mercado devido ao seu elevado custo com respeito ao salário relativamente modesto vigente em Cuba. Não obstante, esta realidade concerne a uma parte imensa da população mundial, que vive na pobreza e cujas principais preocupações não são adquirir um reprodutor de DVD ou um microondas, mas, sim, comer três vezes por dia e ter acesso a saúde e educação, angústias inexistentes em Cuba.

Assim, segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sobre a insegurança alimentar no mundo, 854 milhões de pessoas em todo o planeta, entre elas 9 milhões nos países industrializados, sofrem de desnutrição. No continente americano somente três países já alcançaram os objetivos da Cúpula Mundial da Alimentação 2015: Cuba, Guiana e Peru. Segundo a Unesco, atualmente, um de cada cinco adultos no mundo não é alfabetizado, ou seja 774 milhões de pessoas, e 74 milhões de crianças carecem de escolas. Segundo a Unicef, a cada dia mais de 26.000 crianças menores de cinco anos morrem de fome ou de doenças curáveis, ou seja 9,7 milhões de crianças por ano. Nenhum cubano faz parte destas listas...


Confira a matéria completa pelo link abaixo.

Fonte: Agência Carta Maior

Revirando a Teoria diz...

Muito ainda será discutido e registrado pela grande mídia sobre povos como os chineses, indianos e cubanos. Aliás, para os chineses parece que já começou com as declarações de apoio aos Tibetanos e boicote aos eventos da tocha olímpica pelo mundo.

Vai ser imensa a dedicação da imprensa mundial em execrar o estilo de vida e a cultura chinesa de modo geral. O duro é começar engolir qualquer ladainha, tipo "chinês trabalha por qualquer miséria" ou "a China só cresce porque tem mão-de-obra barata", e por aí vai.

Mas então, quais as questões e assuntos que realmente devem ser debatidos??
Por exemplo:
1) Quais mecanismos a China utiliza para incorporar a gestão e a tecnologia das multinacionais?
2) Como o Estado Chinês atua na determinação das políticas fiscais e monetárias que regem essa economia que cresce, em média, quase 10% ao ano?
3) Como funcionam os instrumentos de distribuição de conhecimento e de renda na China?
4) Como se organizam e se relacionam o povo chinês? Será que o fato de serem budistas e confucionistas alteram seus princípios e suas manifestações culturais?

A verdade é que a mídia está e estará evitando uma discussão como essa. Isso, por opção mesmo, como já sabemos. Esse câncer costuma ser lembrado nos artigos do jornalista Luis Nassif e do geógrafo Elias Jabbour e aqui vamos nomeá-lo de "Mal da Discussão Desfocada" ou, porque não, de "Doença da Discussão Desfocada".

Atinge quase a totalidade dos brasileiros. Na verdade, é crônica principalmente nas pessoas que costumam formar sua opinião embasados numa notícia da Globo, da Veja, da Folha, do Estadão e cia. Ou seja, quase o país inteiro. O "MDD" estraga todas as tentativas de entendimento e conciliação política entre amigos num bar, por exemplo.

Entretanto, é fato que a liderança econômica chinesa tende a se firmar em longo prazo. A capacidade do modelo de organização do povo chinês será posta à prova contra o modelo de desenvolvimento capitalista vigente. Talvez seja necessária uma nova roupagem, pois o debate capitalismo versus socialismo foi o mais prejudicado pelo "MDD", e as definições tanto de socialismo quanto de Estado Socialista perderam seu sentido original e hoje estão indissociáveis do socialismo da URSS. Falar em socialismo é lembrar daquela época e daquela história. Ninguém sabe o que veio antes nem depois, "...sabe-se que não deu certo, e pronto".

Daqui pra frente, vai ser comum a grande mídia caracterizar o modelo chinês como capitalista. É nesse momento que se faz necessário retomar as definições de mercado de exportações, socialismo de mercado e economia planificada. O modelo de crescimento da China pode ser muita coisa, mas simplesmente capitalista não é. A reforma agrária chinesa aconteceu na década de 70 com Deng Xiaoping. A infra-estrutura industrial foi armada já faz algum tempo, por meio de uma série de mecanismos de relacionamento interno e integração nacional. Mas o dado que fala por si é: das 500 maiores empresas chinesas, mais de 400 são estatais.

Haverá dedicação intensa da grande mídia em ocultar as características e as ações de caráter socialista que vêm sendo realizadas na China. Além, de aos poucos ir misturando definições básicas de uma discussão, assim torna-se impossível diferenciar conceitos simples como modelo de produção capitalista e modelo de produção para exportação. É esse mecanismo que fomenta o "MDD" nas pessoas e, até mesmo, em nossos amigos e parentes. O "MDD" é perigosíssimo, pode-se passar horas em debates calorosos sem resultar num aprendizado decente.

19 de abril de 2008

“Lula perdeu oportunidade histórica”, diz MST

por Eduardo Sales

da Redação

Fonte: Agência Brasil de Fato

Dois nomes entre dezenove mortos. Altamiro e Oziel. O primeiro, residia em Eldorado do Carajás; o segundo, em Parauapebas. Assassinados à queima-roupa pela Polícia Militar do Pará, em 17 de abril de 1996, hoje eles fazem parte dos mortos, como Keno, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná, que alimentam e semeiam a esperança pela realização, de fato, de uma política de reforma agrária no Brasil. Obrigadas a ter essa esperança, mais de 150 mil famílias sem-terra acampadas em todo o país resistem.

Em 17 de abril é celebrado o Dia Internacional de Luta Camponesa. Mas a Jornada de Lutas por Reforma Agrária do MST já mobilizou, desde o dia 11, famílias acampadas e assentadas em 16 Estados, além do Distrito Federal: Maranhão, Rio Grande do Norte, Brasília, no Rio Grande do Sul, no Espírito Santo, em Santa Catarina, no Paraná, em Pernambuco, em Sergipe, em São Paulo, em Alagoas, em Goiás, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, na Bahia e Pará.

As atividades já envolveram mais de 10 mil trabalhadores. Além de lembrar os 12 anos do Massacre de Carajás, as ações enfocam a necessidade de agilizar a desapropriação de fazendas improdutivas para a reforma agrária e a liberação de crédito para os assentamentos. Em abril de 2007, o governo federal prometeu liberar crédito para a construção de 31 mil habitações rurais, mas foram contratadas apenas 2 mil. Além da dificuldade na desapropriação, as famílias assentadas têm dificuldades para acessar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que não considera as especificidades das áreas de reforma agrária. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) disponibilizou R$ 12 bilhões para o Pronaf, na safra 2007/2008 (custeio, investimento e comercialização), mas os assentados não conseguiram acesso nem a 15% dos contratos.

Além da dificuldade no acesso ao crédito, menos famílias estão sendo assentadas. Segundo números oficiais do governo, em 2007, foram assentadas somente 70 mil famílias, pouco mais da metade de 2006, quando foram assentadas 136 mil famílias. A polêmica não se encerra nisso. Especialistas na questão agrária apontam também que o governo divulga equivocadamente que cumpriu a meta do Plano Nacional de Reforma Agrária

Para o economista Pedro Ramos, há uma contradição muito grande no discurso do governo. “Na época da confecção do 2º Plano Nacional Reforma Agrária (PNRA), foi dito que o governo ia apostar mais na qualidade do que na quantidade dos assentamentos”, lembra Ramos. E qualidade, nesse caso, é aumento do crédito ao assentados. Segundo o economista, os empresários do agronegócio sempre têm alternativas de auxílio, diferentemente dos assentados. “O governo não facilita a produção e a comercialização e nem cria uma política de seguros de assentados”, reforça o economista.

Para ilustrar essas “alternativas” que favorecem o agronegócio, somente o Banco do Brasil emprestou 7 bilhões de dólares para 15 grupos econômicos, enquanto que os assentamentos não têm apoio suficiente, como diz a integrante da coordenação nacional do MST, Marina dos Santos. Mais negativo é que esse fortalecimento do agronegócio, segundo indica Gilmar Mauro, também da coordenação nacional, provoca uma disputa do território, elevação do preço da terra e uma dificuldade enorme para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) poder efetivamente desapropriar terra.

Chance perdida

Para Gilmar, o governo Lula perdeu a chance histórica de instaurar, de fato, uma política voltada à reforma agrária. “Eu acho que se perdeu essa oportunidade. O que temos visto no governo Lula é que, além de não priorizar a reforma agrária, ela se transforma numa espécie de política social compensatória e, somado a isso, essa política tem estimulado o avanço do agronegócio com o objetivo de obter superávits comerciais”, conclui.

Mais outro integrante da coordenação nacional do movimento, José Batista de Oliveira, argumenta que o governo Lula “optou por implementar um modelo submisso ao capital internacional com agravantes de destruição ambiental, de superexploração do trabalho, de concentração da terra”.

Foto de Araquém Alcântara: www.araquem.com.br

11 de abril de 2008

'Jornal Nacional' contra MST: os novos terroristas da mídia

Poucas vezes uma reportagem foi tão distorcida quanto a do Jornal Nacional de quarta-feira (9/4) a respeito do MST. Nos dois minutos e vinte e quatro segundos da matéria busca-se a criminalização dos camponeses. Para tanto, imagens e palavras são cuidadosamente articuladas para transmitir ao telespectador a idéia de que os militantes do MST é quem são os responsáveis por todo o medo que ronda os paraenses.

Por Marcelo Salles, no Observatório da Imprensa

Logo na abertura da matéria, o fundo escurecido por trás do apresentador exibe a sombra de três camponeses portando ferramentas de trabalho em posições ameaçadoras, como a destruir a cerca cuidadosamente iluminada pelo departamento de arte da emissora. Quando os militantes aparecem nas imagens, estão montando o acampamento e utilizando folhas de palmeiras - naturalmente já arrancadas das árvores.

Quando a matéria corta para ouvir a opinião de um empresário local, ele tem ao fundo exatamente uma folha de palmeira, só que firme no solo - e vistosa, viva. O representante da Vale do Rio Doce é o que tem mais tempo para se manifestar, tanto tempo que até gagueja - e balbucia: "Esses movimentos... estão (nos) impedindo de trabalhar".

Em nenhum momento os representantes do MST são ouvidos, o que contraria, inclusive, as próprias regras do jornalismo da Globo. Mas quando os interesses comerciais de empresas amigas estão em jogo, no caso a Vale, tudo indica que essas regras são postas de lado.

Versão única

Outro dado marcante desta reportagem veiculada pelo Jornal Nacional é a descontextualização dos fatos. O telespectador é apenas informado que o MST "ameaça invadir a Estrada de Ferro Carajás, da companhia Vale", mas não se explica que esta ação direta tem uma origem: a privatização fraudulenta da Vale do Rio Doce.

A companhia foi leiloada, em 1997, por R$ 3,3 bilhões. Valor semelhante ao lucro líquido da empresa obtido no segundo trimestre de 2005 (R$ 3,5 bilhões), numa clara demonstração do prejuízo causado ao patrimônio do povo brasileiro. Desde então, cidadãos e cidadãs vêm promovendo manifestações políticas e ações judiciais que têm por objetivo chamar a atenção da sociedade brasileira e sensibilizar as autoridades competentes para anular o processo licitatório.

Se há uma diferença brutal entre discordar de uma determinada opinião e omiti-la, este caso torna-se ainda mais grave porque não se trata de uma opinião, e sim de um fato político: a privatização da Vale está sendo questionada na Justiça - e com grandes chances de ser revertida. Ao sonegar esta informação, a Globo comete um crime e deveria ser punida pelos órgãos competentes.

Com a mesmíssima parcialidade age o jornal O Globo. A reportagem publicada na mesma quarta (9) sobre o MST não deixa dúvidas quanto ao lado assumido pela publicação. A chamada na primeira página diz tudo: "MST desafia a Justiça e volta a ameaçar a Vale"; o pequeno texto, logo abaixo, aprofunda a toada:

"O MST ameaça descumprir ordem judicial e invadir novamente a ferrovia de Carajás, da Vale, no Pará. Moradores da região estão atemorizados, com a cidade cercada por mais de mil militantes do MST, a quem acusam de terrorismo".

A reportagem principal, à página 9, é acompanhada de outra de igual tamanho. Ambas ouvem apenas a versão da mineradora privatizada pelo governo tucano de FHC. Imediatamente abaixo, como a reforçar a visão policialesca, uma fotografia de um homem morto sobre o título: "Em Porto Alegre, um flagrante de homicídio". Nenhum dos dois veículos (O Globo e JN) registrou o apoio recebido pelo MST por artistas, intelectuais e lideranças partidárias.

Lugar na história

Esta falsa preocupação do Globo com a defesa do povo brasileiro não é de agora. O mesmo jornal que hoje sugere que os militantes do MST são terroristas por atemorizar os paraenses procedeu da mesma forma há 44 anos, quando um golpe de Estado derrubou o presidente constitucional João Goulart. Em texto editorial do dia 2 de abril de 1964, O Globo assinalou:

"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas (...) para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas (...), o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. (...) Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente (...) Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. (...) Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.(...) A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo.(...) Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos (...)."

Assim como para o Globo os inimigos do passado eram aqueles que se insurgiam contra a ditadura que seqüestrou, torturou e matou milhares de brasileiros, hoje os terroristas são aqueles que lutam contra as multinacionais que roubam o patrimônio público, danificam o meio ambiente e produzem graves problemas sociais. É exatamente por isso que ao interromper o fluxo de exportação de uma dessas empresas os militantes do MST acertam em cheio no sistema nervoso do capitalismo.

Dotados apenas de enxadas e coragem, os sem-terra enfrentam jagunços armados, policiais e poderosos grupos de comunicação - esse coquetel que tem como objetivo massacrar o povo organizado. Assim é que os militantes do MST ensinam ao povo brasileiro: não é uma luta justa, mas é uma luta que pode ser vencida.

Por outro lado, o jornalismo das Organizações Globo mais uma vez revelou seu caráter covarde e submisso. Aliou-se aos poderosos e rasgou o juramento profissional da categoria, sobretudo no seguinte trecho:

"A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade."

Mas não há de ser nada. A História vai se ocupar de reservar a cada qual seu devido lugar.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

29 de março de 2008

Aliança PV e PSDB?? Nem Freud explica...


Extraído do Blog do Gabeira

...Quais seriam as prioridades de um governo Gabeira?


Não há solução que não passe pelo crescimento econômico da cidade. Vamos ter que achar um caminho para envolver a iniciativa privada e estimular uma retomada para o desenvolvimento da cidade, como a reconstrução do nosso porto e a recuperação de áreas abandonadas, como o centro da cidade. O segundo ponto, evidentemente, é a questão da violência e teremos que nos integrar na luta do governo federal e do governo estadual contra a criminalidade urbana.

O presidente Lula costurou uma sólida aliança com o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tem trazido muitos recursos para o estado. O senhor, que rompeu com o PT, pretende manter o isolamento do Planalto que é a marca do atual prefeito democrata?

Não repetirei César Maia. Não sou César Maia. O Rio precisa de cooperação entre as três esferas de poder. Vou apostar na integração com os governos estadual e federal. E, se houver eventualmente ressentimentos a meu respeito, vou convencer meus parceiros de minha convicção no êxito da conjugação de esforços. Não podemos traduzir a eleição municipal como se fosse uma miniatura dos conflitos federais. Especialmente no Rio, a situação é muito peculiar e exige que deixemos de lado nossas diferenças.

A Frente Carioca, com PV, PPS e PSDB, pode ser ampliada?

Esperamos que sim, mas não é fácil. Fiz contato com o (deputado estadual Alessandro) Molon (do PT) e com o (deputado federal) Chico Alencar, do Psol, em busca de parceiros para mudar a nossa cidade. É difícil, porque seus partidos insistem em ter nomes próprios, mas acredito que estaremos juntos num eventual segundo turno.

Como o seu passado como guerrilheiro e exilado, de luta contra a ditadura, definiu o político que o senhor é hoje?

O processo da luta armada, do exílio, foi muito doloroso e considero hoje que fiz, da forma que julguei correta, uma tentativa de solucionar os problemas do Brasil, dando o que eu tinha de melhor, arriscando a minha própria vida. Veio o processo de democratização e procurei trazer novos temas para a sociedade debater. Finalmente, na etapa que eu considerava a última, assumi minha vida parlamentar. Só que essa etapa chegou a um certo esgotamento diante da minha necessidade de realizar coisas práticas, de ajudar a cidade que amo. O Rio precisa de mim. Por isso, acho que a grande lição que tiro do meu passado, e que unifica toda a minha vida, é o sentido de missão a cumprir.

... pra conferir a entrevista completa clica no link do blog.

Os asquerosos da Central Globo de Notícias, estão de olho nisso tudo!

28 de março de 2008

China e a Etapa Primária do Socialismo


Atualmente os chineses são os que mais elaboram, ou melhor, desenvolvem o marxismo. Não se trata de nenhuma surpresa, afinal diuturnamente as demandas de uma nação controlada por comunistas impõem soluções rápidas. Mais, as especificidades da formação social chinesa -, seu tamanho territorial e da população (e seu nível cultural), o nível de desenvolvimento das forças produtivas, a influência – no âmbito da superestrutura - de modos de produção proscritos, seus limites em recursos naturais, a correlação de forças em âmbito mundial, entre outras determinações -, demandam investigações científicas que trazem como conseqüência novas elaborações que atualizam e enriquecem o legado teórico do marxismo.

Por Elias Jabbour*

Uma das sínteses das inúmeras elaborações diz respeito a uma chamada “etapa primária do socialismo” na qual a China se encontra e se encontrará ainda por algum tempo. O que vem a ser dita etapa?

O surgimento do termo em Preobrazhenski e o “modelo soviético”

O economista russo Evgeni Preobrazhenski (1886-1937) foi o primeiro a se referir a uma chamada “etapa primária do socialismo”(1).
O economista russo tornou-se famoso pelas análises da relação entre inflação e industrialização em economias agrárias atrasadas e em estado de isolamento internacional, como a Rússia revolucionária. A oposição que fez à implementação da NEP era substanciada pelo diagnóstico, onde a industrialização russa passava por uma forte necessidade de investimentos, cujos efeitos (geração de renda, p. ex.) se sentiriam antes do aumento da produção. Logo, uma onda inflacionária colocaria em risco a aliança operário-camponesa (2).
A “etapa primária do socialismo” em Preobrazhenski seria uma formatação geral onde a chamada harmonia entre superestrutura e base econômica seria possibilitada. Este estágio da transição teria como objetivo a formação de uma acumulação primitiva socialista. Tal estágio - alcunhado e análogo ao processo de acumulação primitiva capitalista descrito por Marx no final do Livro 1 de O Capital – partiu do princípio de que o processo de financiamento da economia russa seria impossível nos quadros de uma economia isolada (impossibilidade de acumular divisas estrangeiras), logo a industria se via sem condições de “puxar” o processo de acumulação e financiamento.
Assim, a acumulação primitiva socialista, em Preobrazhenski, seria possível nos marcos de trocas desiguais entre a agricultura e a indústria. Os problemas da inflação e do investimento seriam resolvidos na transformação, ou desvio, dos excedentes camponeses transformados em consumo para o investimento. Esse processo - descrito superficialmente - convencionou-se chamar de “modelo soviético de desenvolvimento” (3).

O problema chinês

Os chineses a partir de 1978 passam a determinar de maneira mais clara o conceito de “etapa primária do socialismo”. A superação desta etapa, porém – no caso chinês – deixou de ser pela via do “modelo soviético”, para a via de uma NEP em proporções gigantescas.
A opção pelo “socialismo de mercado”, ou de forma mais suscinta, transformar os excedentes comercializaveis dos camponeses em poupança inicial, traria e trouxe a solução de pelo menos três óbices: 1) reversão das trocas desiguais, agora amplamente favoráveis aos camponeses; 2) solucionar a questão do abastecimento alimentar e formação de um mercado consunidor para produtos industrializados (bens de consumo) e 3) recompor assim o pacto de poder de 1949, caracterizado pela hegemonia camponesa, base esta desgastada com a proibição de comercialização de produtos agrícolas da era-Mao.
O leitor pode se perguntar se os efeitos (inflação) indicados por Preobrazhenski por conta da aplicação da NEP, não poderia ocorrer. Respondo que sim, a inflação corroedora de salários atingiu em cheio a China no final da década de 1980, sendo um dos estímulos à rebelião contra-revolucionária de junho de 1989. A capacidade de importação de máquinas e a consequente formação de um Departamento 1 Novo (indústria mecânica pesada), abriu soluções a este problema.

A definição do termo em Deng Xiaoping

Retornando, logo a classe camponesa numa formação social específica, como a chinesa, poderia desempenhar um papel muito mais ativo no processo de acumulação do que em outros países, como a Rússia.
O pressuposto da solução via camponeses médios elaborada por Deng Xiaoping, foi sintetizado na caracterização de uma formação social (no caso, chinesa) que se encontraria ainda na etapa primária do socialismo, como segue: 1) formação social onde a maior parte da população está ocupada na agricultura e dependente do trabalho manual; 2) escassez de recursos minerais; 3) ciência e tecnologia atrasadas; 4) grandes disparidades regionais de ordem econômica, social e cultural; 5) grande parte da população vivendo com dificuldades; 6) falta de autonomia tecnológica e de financiamento, e; 7) grande distância para com o nível de desenvolvimento do centro do sistema (4).
Levando-se em conta a realidade russa em 1917 e a realidade chinesa em 1938 (o nível de desenvolvimento chinês de então, era semelhante ao verificado na Rússia em 1938), a definição chinesa de “etapa primária do socialismo” é equivalente à que demandaria numa realidade como a vivida por Preobrazhenski em Rússia quase medieval.

O caso brasileiro

Até que ponto, para o Brasil, poderia se enquadrar esta tal “etapa primáia do socialismo” elaborada nos termos levantados por Preobrazhenski e Deng Xiaoping?
Sinceramente muio pouco. Por que? Porque o Brasil já tem mais de dois terços da população vivendo nas cidades, temos um sistema financeiro (bancos estatais e privados e um mercado de capitais) pronto para carrear recursos aos sotores estrangulados da economia. Temos uma grande produção agrícola altamente competente e de ponta a nível mundial e um edifício industrial completo, inclusive com um Departamento 1 Novo na economia, pronto para fabricar trilhos, geradores, locomotivas, trens, etc. Temos excelência em pesquisas em todos os ramos científicos.
A nossa realidade é muito mais promissora que a vivida pelos russos em 1917 e os chineses em 1949 e 1978.
Uma república dos trabalhadores e das amplas massas populares (conforme nosso Programa Socialista) no Brasil partiria de uma situação onde seria mister aprofundar a industrialização no campo (nunca retornar à pré-história com propostas de cunho anticientíficas que se transformaram em senso comum na esquerda), manter uma classe privada de pequenos e médios produtores rurais, centralizar o sistema financeiro à servir de base à socialização da produção ao mesmo tempo em que novos campos de investimentos se abram nas cidades.
Por fim, acelerar o processo de automação industrial, ultra-necessário à libertação do home do jugo da máquina, no rumo da auto-gestão da produção.
Agora como nossa vontade não está acima das leis da natureza, continuemos no rumo da acumulação estratégica de forças.

Notas:
(1) DAY, R. B.: “Preobrazhenski and the Theory of the Transitional Period”. Soviet Studies 8. New York, 1975, p. 08.
(2) FILZER, D. (org.): “1921-1927: The Crisis of Soviet Industrialization: Selected Essays”. White Plains. Sharpe, London, 1980, p. 153.
(3)No que tange a regulação econômica durante o estágio de “acumulação primitiva socialista”, Preobrazhenski sugeria a coexistência de duas formas regulatórias: uma controlada pelo Estado (planejamento) e outra pautada pela lei do valor, ou seja, resultado da manutenção da produção privada de mercadorias e da propriedade privada. Trata-se de formas de mediar as diferenças existentes entre relações de produção socialistas e privadas coexistentes no período de transição.
(4) ZEMIN, Jiang: “Hold High the Great Banner of Deng Xiaoping Theory for an All-Round Advance of the Cause of Building Socialism with Chinese Characteristics into the Twenty-First Century”. Report to the Fifteenth National Congress of Communist Party of China. People’s Publishing House, Beijing, 1992, p. 15.

*Elias Jabbour, é Doutorando e Mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP, membro do Conselho Editorial da Revista Princípios e autor de ''China: infra-estruturas e crescimento econômico'' 256 pág. (Anita Garibaldi).

Fórum Social Mundial 2009 - Amazônia


Fórum Social Mundial na Amazônia!!... Imprescindível!!... Das raras oportunidades que a região mais estratégica do Brasil pode ser debatida por quem realmente quer ajudar...

Dúvidas mais freqüentes sobre o FSM 2009:

Onde e quando acontecerá o FSM 2009?

Em Belém, Pará, Brasil. Data ainda a ser definida.

Em que espaços o FSM 2009 será realizado?
O território do fórum que foi definito até agora inclui: a Universidade Federal do Pará (UFPA/NPI), a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), o centro tecnológico da UEPA, o Museu Goeldi – Estação Científica (Perimetral), a EMBRAPA e o centro da cidade de Belém – escolas, ginásios, entidades, teatros, auditórios e praças.

USP - São Carlos e UFSCAR estarão lá, com certeza!

Mais informações: http://www.forumsocialmundial.org.br

26 de março de 2008

Luis Nassif - "A crise e as famílias americanas"


Um levantamento do Departamento de Economia do Bradesco, junto a bancos de dados americanos, permitiu uma visão bastante objetiva do tamanho da encrenca da crise hipotecária norte-americana. O consumo das famílias responde por 70% do PIB americano. Nos últimos anos, cresceu à razão de 3% ao ano.

Por Luis Nassif


Um balanço das famílias americanas – com a profusão de dados que caracteriza a cultura do país – revela o seguinte:
Dentre os ativos (os bens) das famílias, 31,2% são imóveis – representando um total de US$ 22 trilhões; 5,6% bens duráveis; 62,9% ativos financeiros. Do passivo total, 73,1% (ou US$ 10,5 trilhões) são de crédito imobiliário; 17,7% de crédito ao consumo.

Os imóveis são importantes, também, como garantia para novos financiamentos. Portanto, tem um efeito multiplicador sobre o crédito.

Desde o último trimestre de 2003 – segundo os estudos do Bradesco – a riqueza real das famílias subiu 20%, mesmo sem ter havido aumento da poupança. Hoje em dia, as famílias americanas consomem 96% da renda disponível – patamar mais baixo da história. Portanto, o aumento da riqueza foi decorrência exclusiva da valorização dos ativos, do “boom” dos imóveis, o mais forte dos últimos cem anos.

Agora, se terá a queda mais forte, também dos últimos cem anos. E aí o futuro fica cercado de interrogações. Se os preços caírem 20% em relação ao pico, mais a redução de outros ativos, como ações, a relação riqueza/renda cairá de 5,6 para 4,8 vezes – um tombo considerável.

Mais: com a queda nos preços dos imóveis, grande parte deles ficará com valor inferior ao do financiamento. Em um primeiro momento, as famílias relutam em abandonar os imóveis – por problemas de auto-estima. À medida que vêem os vizinhos largando e percebem que a crise é geral, a tendência é um crescimento exponencial da inadimplência. Se todos os mutuários, cujo valor do financiamento superou o dos imóveis, desistir do seu contrato, o rombo será várias vezes maior que a soma do capital dos bancos americanos.

Esse é o risco a ser combatido.

Apesar de ainda não ter definida a extensão da crise, o mercado projeta alternativas – todas elas indolores – para superar a turbulência que se arrasta nos Estados Unidos. Em reportagem da BusinessWeek, a revista considera três políticas a serem implementadas para dar maior segurança à economia. São elas: medidas agressivas do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) para combater a falta de liquidez, um pacote de resgate de mutuários inadimplentes e ajuda às instituições de crédito para descongelar o mercado.

Não apenas isso. Com a inadimplência, cria-se um rombo nos financiamentos imobiliários. Por extensão, aumenta o rombo das operações de “subprime” (as operações financeiras baseadas nos financiamentos). A cobertura de prejuízos obrigará à venda de ações, derrubando os mercados – como está acontecendo. E, agora, contaminando inclusive o mercado de commodities – até então, o porto seguro da crise.

O mundo está entrando na mais grave crise da sua história desde o crack de 1929.

Fonte: Blog do Nassif

Sabedoria popular



Um pouco sobre os predestinados do Satã...

Direito de resposta - Brizola X Globo

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